Globalização e Crises Financeiras

Na década de 70, mais precisamente a partir de 1973, o Estado Providência começou a ser posto em causa, devido à recessão económica no mundo ocidental, a qual abriu caminho ao crescimento da ideologia neoliberal. Esta corrente política considerava que a crise económica era uma consequência direta das políticas intervencionistas, pois os pesados encargos fiscais pagos por particulares e empresas para sustentar esta política social provocavam a descida dos lucros e a quebra dos investimentos das empresas.
Os neoliberais propõem como alternativa ao intervencionismo estatal, a iniciativa privada, uma vez que achavam prejudiciais os diversos benefícios sociais atribuídos por este tipo de governo, que levam ao parasitismo social, muito oneroso para o Estado.
Esta ideologia política começou a implantar-se nos governos ocidentais desde então, pois pareciam confirmar-se as suas previsões. De facto, nos anos 70, grande parte dos governos do Ocidente enfrentaram os penosos efeitos destes avultados gastos com as políticas sociais. O considerável aumento dos impostos, para sustentar estes programas políticos, demonstrou-se prejudicial tanto para os investimentos como para as poupanças e contribuiu para o agravamento da recessão económica patente na maioria dos países da Europa Ocidental. Para resolver esta crise económica os neoliberais propunham a diminuição da intervenção estatal no plano económico, a privatização das empresas públicas e a redução das despesas com a segurança social, que muitos defendiam se devia privatizar. Este conjunto de propostas, que pretendiam suprir os principais problemas dos governos ocidentais dos anos 70, foram uma fonte de inspiração para alguns governos da década seguinte, nomeadamente do governo de Ronald Reagan nos Estados Unidos da América e dos Primeiros Ministros Margaret Thatcher, no Reino Unido, e Jacques Chirac, na França.
Outros Estados europeus seguiram o exemplo da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos e da França pois foram empurrados pela situação económica e pelo envelhecimento da população. Esta política neoliberal fomentou o desenvolvimento das empresas mas trouxe consigo o aumento da taxa de desemprego, a descida dos salários e o incremento das tensões sociais. À medida que o neoliberalismo se afirmava e diminuía o protecionismo social, algumas instituições sociais passam a agir junto dos grupos mais atingidos pela crise económica.
Na década de 70, o bloco socialista não foi afetado pela crise económica, manteve a taxa de emprego, os seus recursos energéticos e a independência da sua moeda de referência, o rublo soviético. No entanto, os países de Leste confrontavam-se com graves problemas tais como: o atraso técnico e a baixa produtividade das suas indústrias muito pouco competitivas; o crescimento da contestação dentro dos regimes socialistas, apesar da repressão exercida sobre os dissidentes; a violenta repressão da oposição noticiada no Ocidente desiludiu muitos comunistas nos países capitalistas, que assim se vão distanciar da órbita da União Soviética; a inflexibilidade da ideologia marxista-leninista, que não permite a modernização de algumas instituições incapazes de responderem aos novos desafios; e as decadentes condições de vida do operariado, que contrastam com o nível de vida dos dirigentes comunistas.
No início dos anos 80, os países de Leste viveram tempos difíceis com o agravamento das tensões sociais e dos problemas económicos. Na Rússia gerou-se alguma instabilidade após a morte de Brezhnev em 1982, recuperada depois com a eleição de Mikhail Gorbatchev para secretário-geral do PCUS, em 1985.
A partir de então, assistiu-se a uma abertura da União Soviética ao exterior e a grandes reformas (Perestroika) para renovar as estruturas económicas, políticas e culturais, e permitir a liberdade de informação (Glasnost).
Gorbatchev teve uma grande projeção internacional, mas ganhou inimigos em vários quadrantes políticos na própria URSS. O descontentamento interno face à sua política conduziu ao seu afastamento em 1991.
O golpe militar que derrubou Gorbatchev colocou no poder a Federação Russa de Boris Ieltsin. Nesta altura, o marxismo perdera toda a sua pujança, o novo Estado soviético debatia-se com os movimentos independentistas, com o desmembramento da URSS em países Bálticos independentes e as Comunidades de Estados Independentes (CEI).
A mutação da ex-União Soviética acarretou uma profunda transformação nos países socialistas do bloco de Leste, tendo, muitos deles, aliás, mudado para um regime democrático. Na Polónia, o Solidariedade de Lech Walesa, apoiado pela Igreja Católica, triunfa em 1990; na Hungria a democratização inicia-se em 1989 culminando com a vitória do Forum Democrático; e na Checoslováquia Vaclav Havel, do Forum Cívico, é eleito presidente em 1989. Nesse mesmo ano dá-se a queda do muro de Berlim, que dividia desde 1961 a Alemanha ocidental da Alemanha de leste, definitivamente reunificadas em 1990. O Partido Comunista búlgaro em 1989 prepara a transição para a democracia enquanto na Roménia o presidente Ceausesco ignorava este movimento democrático. Apesar deste recusar acompanhar a mudança, foi derrubado do poder e executado na sequência de uma devastadora crise económica. Na Jugoslávia o processo de democratização acordou os movimentos autonomistas, que reavivaram as rivalidades das diversas etnias, reunidas pelo general Tito (Josip Broz) durante o período socialista. Estas divergências tiveram e têm consequências terríficas, pois mergulharam o país num caos. A ex-Jugoslávia foi parcialmente destruída pelas guerras travadas entre sérvios, croatas e bósnios muçulmanos, que obrigaram à intervenção das forças de paz internacionais e das instituições internacionais de solidariedade.
A Albânia foi um dos últimos resistentes. Na Ásia e em Cuba, ao contrário do mundo ocidental, continuam a vigorar os regimes socialistas.
No período do pós-guerra surgiu um movimento pacifista e uma vontade de desenvolver conversações entre as grandes potências para se negociar o desarmamento. O movimento hippie dos anos 60 e os movimentos ecologistas dos anos 70 são exemplos de uma preocupação mundial com o ambiente e com a pacificação do Mundo ameaçado pelo desrespeito da natureza e pela vida humana, e com o aumento desmedido das várias formas de poluição.
Estas preocupações chegaram até aos mais altos responsáveis dos blocos de Leste e do Oeste, que nos anos 60 e 70 se encontram mais recetivos às conversações de paz. No entanto, os resultados destas negociações não foram muito revolucionários como o demonstram a política de rearmamento do presidente norte-americano Ronald Reagan nos anos 80, com a implementação do programa Guerra das Estrelas.
Esta tendência inverte-se a partir de 1985 com a radical transformação política operada na URSS. Logo em 1986 Gorbatchev estabelece negociações com os Estados Unidos, e propõe um plano de desarmamento total até ao final do século XX.
Em 1987, os presidentes russo e norte-americano assinam o Tratado de Eliminação de Armas de Médio e de Curto Alcance. Esta política é retomada com o novo presidente americano, George Bush. Todo este esforço para afastar a ameaça nuclear culminou com a Ata Final de Helsínquia de 1990, onde 35 nações se comprometeram a aceitar um controlo mútuo do armamento. Todavia, o já referido desmembramento do bloco de Leste colocou alguns problemas ao desenvolvimento desta política conjunta, porque muitos movimentos independentistas puseram em risco esta luta pela segurança mundial e exigiram, inclusivamente, a intervenção de forças internacionais como a ONU.
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