Glória Menezes

Atriz brasileira, de seu verdadeiro nome Nilcedes Soares Magalhães, nasceu a 19 de outubro de 1934, na cidade de Pelotas. De família humilde, viajou para S. Paulo para tentar uma carreira artística, tendo participado em inúmeras radionovelas e peças teatrais. Estreou-se no cinema em O Pagador de Promesas (1962), de Anselmo Duarte. Nesse mesmo ano, conheceu o ator Tarcísio Meira com quem viria a casar no ano seguinte. A partir daí, começou a ser disputada pelas estações televisivas para integrar o seu elenco de telenovelas: pela TV Tupi, filmou A Estranha Clementine (1962) e pela TV Excelsior, entre outras, 25499 Ocupado (1963), Pedra Redonda 39 (1965), Almas de Pedra (1966) e O Grande Segredo (1966). Em 1968, entrou para os quadros da Rede Globo onde se estreou com a telenovela Sangue e Areia. Em Portugal, Glória tornou-se extremamente conhecida e popular devido às telenovelas: em Pai Herói (1979), deu corpo a Ana Preta, um retrato da mulher das camadas populares brasileiras. Explorou também o seu talento cómico em Guerra dos Sexos (1983) e Brega e Chique (1987), onde contracenou com o seu filho Tarcísio Filho. Com A Rainha da Sucata (1990), encarnou a pérfida vilã Laurinha Figueiroa, casada com um milionário arruinado que vive das aparências (Paulo Gracindo) e que não hesita em assassinar o seu marido para conquistar o coração do seu enteado (Tony Ramos). Em A Próxima Vítima (1995), aceitou encarnar um papel secundário, a da filantropa Júlia Braga, que dedica os últimos dias da sua vida a construir uma creche numa das favelas mais perigosas de S. Paulo. A popularidade da sua personagem provocou a criação de um movimento nacional de consciencialização para os problemas das crianças da rua e a sua integração na sociedade. Sendo uma das estrelas mais bem pagas da Rede Globo e com um largo capital de prestígio construído nos palcos e nas telas, deu-se ao luxo de abandonar uma novela a meio das suas filmagens como forma de protesto em relação à pobre qualidade do guião de Vira-Lata (1996). Voltou às lides televisivas com Torre de Babel (1998), uma superprodução de Sílvio de Abreu, onde contracenou com Tarcísio Meira e interpretava o papel de uma milionária traída constantemente pelo marido e que sofre com a toxicodependência do seu filho mais novo. Quando começaram a surgir rumores de que o guião previa que, a meio da novela, a sua personagem se envolveria numa relação lésbica, irromperam na Globo milhares de cartas e e-mails de protesto do público brasileiro, indignado com a possibilidade de ver uma das suas atrizes mais conceituadas nesse papel, naquele que se tornou num dos movimentos espontâneos de contestação mais violentos do público audiovisual brasileiro. Participou também nas telenovelas Porto dos Milagres (2001) e O Olhar do Vampiro (2002). A nível cinematográfico, também deu o seu contributo a títulos importantes como Independência ou Morte (1972) e O Caçador de Esmeraldas (1979).
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