Gonçalo Mendes Ramires

Protagonista do romance A Ilustre Casa de Ramires, é um nobre de antiga linhagem, "certamente o mais genuíno e antigo fidalgo de Portugal". Herdeiro do nome histórico de Ramires, Gonçalo vive obcecado por honrar a tradição familiar, repartindo-se entre as ambições literárias e as ambições políticas, entre o desejo de terminar um romance sobre o seu antepassado Tructesindo Mendes Ramires, alferes-mor de D. Sancho I, e o desejo de ascender a um cargo público. Sentindo-se humilhado com os favores de André Cavaleiro, amante da sua irmã Gracinha, que lhe consegue o título de marquês de Treixedo, Gonçalo viaja para África, onde permanece quatro anos e de onde regressa "ótimo", "mais homem", imbuído de "um entusiasmo de fundador de Império". Como acertadamente observa a personagem João Gouveia, no final do romance, Gonçalo Ramires, o Fidalgo da Torre, com "a generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios", "a esperança constante nalgum milagre", "a desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe", "aquela antiguidade de raça", "aquele arranque para a África", simboliza o Portugal contemporâneo de Eça, dilacerado entre o passado glorioso e a miséria presente.
Como referenciar: Gonçalo Mendes Ramires in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-07-09 20:57:24]. Disponível na Internet: