Gonçalvismo

O termo gonçalvismo foi utilizado para caracterizar o período de maior agitação política e social do após-25 de abril de 1974. O vocábulo alude a Vasco Gonçalves, que era o mais graduado dos oficiais que tomaram parte na formação do Movimento das Forças Armadas (MFA). Coronel quando ocorreu a revolução de 1974, a 18 de julho desse ano foi nomeado chefe do II Governo Provisório pelo general Spínola, devido à sua patente militar.
A constituição do II Governo Provisório alterou a característica multipartidária presente no Executivo anterior. O MFA emergiu como agente político, sendo representantes seus incluídos no Governo, entre os quais Vasco Gonçalves como primeiro-ministro. Este militar presidiria ainda aos III, IV e V Governos Provisórios, mantendo-se no poder até 29 de agosto de 1975.
O Estado português encontrava-se enfraquecido politicamente pela Descolonização e pela revolução. A administração pública decidiu estender a sua intervenção aos domínios financeiro, económico e empresarial. O gonçalvismo foi marcado pelo rápido processo da descolonização e pelas nacionalizações, verificando-se uma política de intervenção do Estado na vida económica, cuja estatização e coletivização era reclamada pelo PCP.
A agitação rural que se vivia não foi menos importante que a agitação urbana. A evolução política da revolução foi bastante marcada por movimentações de camponeses, com a situação económica e social a agravar-se a partir do outono de 1974. O processo da Reforma Agrária levaria à divisão do espaço rural português e acentuaria as clivagens políticas e sociais entre o Norte e o Sul do território. As manifestações rurais multiplicaram-se no ano de 1975, pretendendo fazer avançar as ocupações de terras e legalizá-las através das nacionalizações e, sobretudo, das expropriações.
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