Graciliano Ramos

Escritor brasileiro, Graciliano Ramos nasceu a 27 de outubro de 1892, no Nordeste brasileiro, e morreu em 1953, no Rio de Janeiro. Foi negociante e prefeito de Palmeira dos Índios. Em 1933 publica Caetés e no ano seguinte São Bernardo, o seu trabalho mais conhecido. Estes dois romances trazem-lhe a fama. Foi preso em 1936, aparentemente sob suspeita de ser comunista. Cerca de um ano depois muda-se para o Rio de Janeiro, dividindo as suas funções entre a função pública e o jornalismo. Integra-se no grupo do romance do Nordeste, desenvolvendo relações de amizade com os escritores que formavam a vanguarda da literatura nordestina, entre os quais, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e Jorge Amado. Para além de uma vertente regionalista e social, as preocupações da sua escrita dirigem-se para a análise psicológica dos conflitos interiores das personagens - o que se encontra bem patente na famosa tríade formada pelos romances São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vidas Secas (1938). Os processos de escrita que emprega marcam um estilo novo no horizonte das letras brasileiras de então: um estilo seco, enxuto, à imagem do próprio Nordeste. Utiliza uma linguagem concisa, um vocabulário sóbrio, privilegiando o discurso indireto livre, o monólogo, o uso de frases independentes, raramente coordenadas ou subordinadas. Escreveu ainda livros autobiográficos: Infância (1945) e Memórias do Cárcere (1953), constituindo este último um dos estudos mais sérios da realidade brasileira e um verdadeiro grito de revolta contra o atraso cultural do país.
Como referenciar: Graciliano Ramos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-18 06:55:16]. Disponível na Internet: