Grupo Cobra

Cobra designa uma associação internacional de artistas, criada na Europa a 8 de novembro de 1948. O seu nome, inventado pelo poeta e pintor belga Christian Dotremont (o teórico e mecenas do grupo), resulta a agregação das letras iniciais das cidades que constituíram os núcleos de formação do movimento: Copenhaga, Bruxelas e Amsterdão. Aquando da sua formação, em 1948, o movimento Cobra absorve o grupo experimental Reflex, formado em Amsterdão nesse mesmo ano por Karel Appel (1924-), Corneille (1922-) e Constant.
Tal como em grande parte dos movimentos de vanguarda da primeira metade do século, a formação desta corrente é marcada pela redação de um manifesto. Designado "La cause était entendue" este texto é assinado por grande parte dos membros que integraram o grupo Cobra, como Dotremont, Asger Jorn (1914-1973), Corneille, Constant, Appel e Joseph Noiret. O pintor Pierre Alechinsky (1927-) juntou-se ao movimento no ano seguinte, em 1949. Participaram nesta corrente ainda os artistas Jean-Michel Atlan (1913-1960) e Pol Bury (1922-).
Constituído por poetas e pintores, este movimento de vocação internacional pugna pelo desenvolvimento de uma arte de intensa liberdade criativa, onde impere a experimentação e a espontaneidade, numa aproximação às expressões mais simples das tradições populares e da etnologia. Neste aspeto, os princípios estéticos e conceptuais de Cobra aproximam-se de manifestações artísticas primitivas, como a designada Arte Bruta (de acordo com a caracterização dada por Jean Dubuffet), sendo possível detetar, no contexto da produção artística erudita, várias influências, como o Surrealismo do catalão Joan Miró, o estilo ingénuo de Paul Klee e a abstração de Hartung (1904-1989) de Wols. A estas influências acresce desejo de expressão das vontades íntimas e o espírito de liberdade, que caracterizam a identidade cultural dinamarquesa assim como do carácter expressonista e tenso da obra de Edvard Munch. Os membros de grupo defendiam a expressão livre do inconsciente e usavam cores estridentes para dar aos trabalhos força e vitalidade (próximos dos desenhos das crianças e da arte primitiva), incluíam frequentemente nas suas pinturas um imaginário fantástico (derivado das formas artísticas tradicionais e populares nórdicas) conjugado com símbolos místicos associados a formas abstratas. Desta forma rejeitam as tendências mais virtuosísticas e realistas do movimento surrealista, do qual retiram essencialmente determinados processos criativos, como o desenho automático.
Apesar de possuirem uma base ideológica comum, transcrita no manifesto do grupo, cada um dos artistas do movimento revela abordagens formais e estéticas diferenciadas. A obra de Pierre Alechinsky, apresenta geralmente elementos fantásticos, de carácter fortemente narrativo, e é marcada pela caligrafia japonesa e pela Action Painting americana. Asger Jorn, um dos pintores mais interessantes do grupo, realiza várias telas nas quais representa, empregando um cromatismo intenso, figuras de animais e vegetais. Corneille executa quadros de pássaros e paisagens, com grande liberdade e espontaneidade de desenho. Denunciando a sua formação literária, o escritor Christian Dotremont (1922-1979), na sua obra pictórica recorre à linguagem escrita e desenvolve um conjunto de "pinturas-palavras" de carácter caligráfico.
A principal exposição realizada pelo grupo, a "Exhibition of Experimental Art", apresentada num museu de Amsterdão em novembro de 1949, determinou uma reação extremamente violenta por parte da crítica e dos meios de comunicação, situação que se verificaria, em fevereiro de 1951, aquando da exposição do movimento Cobra em Paris. A mostra coletiva realizada em Liège poucos meses depois (em outubro de 1951) constituiu a última iniciativa conjunta do grupo, que se dissolveu no seguimento do afastamento dos seus dois teóricos, Jorn e Dotremont, devido a graves problemas de saúde.
Um fim que foi anunciado oficialmente no último dos dez números da revista Cobra Revue (1948-1951), editado por ocasião da exposição de Liége.
Apesar da sua vocação internacionalista e do carácter vanguardista de sua produção criativa, os pintores do movimento Cobra só obtiveram reconhecimento internacional a partir dos anos 60, altura em que o interesse em torno da sua obra se alarga a toda a Europa e aos Estados Unidos da América.
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