Gruta do Escoural

Encontrada acidentalmente em 1963, a Gruta do Escoural é uma das mais raras e significativas estações arqueológicas de arte rupestre em território nacional. Em pleno Alentejo, a cerca de 3 km de Santiago do Escoural, concelho de Montemor-o-Novo, a gruta possui espólio arqueológico que testemunha uma ocupação humana com mais de 50 mil anos. No entanto, ela deve a sua fama às figuras pintadas e gravadas nas paredes do seu interior durante o período do Paleolítico Superior, com datação relativa entre 25 000 a. C. e os 12 000 anos a. C. Existem paralelismos estilísticos entre as pinturas e gravuras rupestres do Escoural e algumas estações arqueológicas francesas e espanholas, como são o caso de Altamira, La Mouthe ou La Pileta, identificadas como pertencentes ao período da arte paleolítica.
Morfologicamente, a Gruta do Escoural é constituída por cerca de trinta galerias e diversas salas e corredores, dispostos em vários níveis. Nas suas paredes foi inventariada, até ao presente, mais de uma centena de gravuras e pinturas. A maioria das imagens situa-se no grande e amplo salão central.
A representação das gravuras e das pinturas divide-se em dois grupos: um constituído por motivos zoomórficos - cavalos e bois - e um outro, de linhas geométricas abstratizantes ou signos enigmáticos. Para os equídeos e os bovídeos, o homem do Paleolítico socorreu-se do pigmento negro, enquanto nas composições de sinais e linhas utilizou o vermelho. Um traço largo, firme e seguro delimita as gravuras riscadas nas diversas paredes.
O significado original da arte rupestre da Gruta do Escoural é um enigma ainda por decifrar claramente. Poderia, decerto, representar conceitos e símbolos ligados a rituais mágicos e religiosos do Homem pré-histórico, o que configura este espaço como um verdadeiro santuário do Paleolítico Superior.
Como referenciar: Gruta do Escoural in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-20 06:02:36]. Disponível na Internet: