Guerra do Pacífico (1941-1945)

A guerra no Pacífico iniciou-se com o ataque japonês à base americana de Pearl Harbor (Hawai) a 7 de dezembro de 1941, facto que implicou a entrada dos Estados Unidos da América na guerra. No mesmo dia a aviação japonesa atacou vários objetivos estratégicos: Manila, nas Filipinas, Malásia, Singapura e Hong-Kong, enquanto as forças terrestres desembarcavam no Bornéu britânico e no Norte da Malásia; foi também por essa altura que a Tailândia foi ocupada. Depois de alguns sucessos navais, nomeadamente contra a marinha inglesa ao largo da Malásia, a ofensiva japonesa prosseguiu sem encontrar grandes obstáculos; as ilhas de Guam e Wake, atacadas no início das hostilidades, caem nas suas mãos, respetivamente a 12 e 24 de dezembro de 1941; pouco depois tomam Manila (2 de janeiro de 1942), a Malásia (a 31), Singapura (15 de fevereiro) e progridem na Birmânia. Na primeira metade desse ano, as vitórias alcançadas em terra, mar e ar (Java, Batan, Ceilão, o corte da estrada de Birmânia, eixo fundamental para o abastecimento da China, os ataques à Nova Guiné e às Ilhas Salomão) colocam o Pacífico nas mãos do "Império do Sol Nascente". No entanto, os Aliados, ainda a recuperar dos primeiros abalos, conseguem alguns êxitos significativos e, sobretudo, moralizadores. A 18 de abril de 1942, Tóquio, Yokoama e Nagoia são bombardeadas pela aviação americana do general Doolitle; e, na mesma altura em que os americanos capitulam em Corregidor e Mindanáu, chega a notícia da grande vitória do almirante Nimitz na batalha aeronaval do mar de Coral (7 a 10 de maio), travando a ofensiva nipónica sobre a Austrália. Um mês depois (4 de junho), regista-se um novo sucesso americano em Midway; com ele, as ilhas do Hawai ficavam livres de perigo. Com estas vitórias, os norte-americanos recuperavam a supremacia naval e o desembarque japonês nas Aleutas a 15 desse mês já não preocupava.
A partir deste ano de 1942, as forças americanas passam ao contra-ataque; dirigidas pelo general Douglas MacCarthur, reconquistam, uma a uma, as posições perdidas. Ao mesmo tempo, a frota comandada pelo já citado Nimitz inflingia sérias derrotas aeronavais ao adversário nipónico: nas ilhas Salomão, Fidji, Nova Guiné, Marshall, Marianas e nas Filipinas, era evidente a superioridade dos americanos. A 9 de janeiro de 1945, os "marines" desembarcam em Luzon, principal ilha das Filipinas e Manila, a capital, capitula a 1 de fevereiro. A 16, Batan é libertada e Corregidor reconquistada. Desde essa altura, o Japão é diretamente atacado. A 1 de abril, as forças aliadas que já ocupavam a ilha de Iwo Jima (à custa de violentos combates travados entre 19 de fevereiro e 16 de março) desembarcam em Okinawa (a 520 km do Japão), ao mesmo tempo que as forças chinesas de Chiang Kai-shek e os exércitos britânicos expulsam os japoneses da Birmânia. A 10 de junho iniciava-se a grande ofensiva aliada sobre o Bornéu. A vitória dos Aliados era agora uma certeza. Mas, enquanto a ocidente a guerra terminava em maio, com a capitulação da Alemanha, no Pacífico a resistência nipónica era feroz. Apesar dos progressos americanos, o Japão dominava ainda a Indochina, grande parte da China continental, a Indonésia e muitas ilhas dispersas. Segundo os cálculos dos oficiais americanos, seria impensável dominar o Japão antes do ano seguinte. Perante este cenário, o presidente americano Truman tomou a decisão de lançar a bomba atómica sobre Hiroxima (6 de agosto) e Nagasáqui (9 de agosto). Paralelamente, do Pacífico a URSS entrou no conflito, a 8 de agosto, apesar de ser neutral desde abril de 1941, e atacou o Japão nos seus domínios continentais da Manchúria e da Coreia. A bomba atómica foi então lançada como forma de abreviar a guerra no Pacífico, muito embora fosse desconhecido o seu potencial destruidor. A escolha dos locais obedeceu a dois critérios: o de atingir um ponto essencial da passagem de tropas em direção ao Sudeste asiático (Hiroxima) e o de experimentar quais os verdadeiros efeitos da nova bomba sobre um agregado populacional intacto (Nagasáqui). A primeira bomba fez 78 150 mortos, 13 982 desaparecidos, 9428 feridos graves e 29 957 feridos ligeiros. Os danos da segunda explosão saldaram-se em 36 mil mortos e 40 mil feridos.
Em face do número de perdas, o imperador japonês Hirohito viu-se forçado a propor aos seus ministros a rendição, apresentada logo em agosto e assinada a 2 de setembro de 1945, a bordo do couraçado Missouri, perante o comandante MacCarthur. A guerra do Pacífico redundou num profundo abalo da presença europeia no Sudeste asiático, tendo os países do Velho Continente sido definitivamente postos em causa quanto à ocupação de territórios no Extremo Oriente. Ao mesmo tempo, a China herdava um embate interno entre o nacionalismo de Chiang Kai-shek e o comunismo de Mao Tsé-tung.
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