Guerra Israelo-Árabe de 1967

Apesar de o poder político em Israel refletir a ideologia democrática do país, a liderança política deste era particularmente importante por causa da esmagadora influência que tinha na economia e cultura. A mutabilidade dos costumes israelitas podia ser vista na crescente presença de modelos culturais americanos, que tendiam a substituir as influências europeias após a Guerra dos Seis Dias em 1967, e o aumento da resistência dos judeus orientais ao domínio cultural e político dos judeus Europeus. A prosperidade e luta heroica que dominou o período de fundação de 1948 a 1967 deu lugar a um subsequente período de lento crescimento económico, ambiguidade política e diplomática e individualismo cultural, associada, após 1977, com as políticas do bloco Likud. A emigração em massa de judeus da União Soviética iniciada nos finais de 1980 deu origem a um desafio considerável para a capacidade de absorção da cultura, economia e políticas de Israel.
Para um grande número de judeus em todo o Mundo, o Estado de Israel simbolizava as esperanças e aspirações dos Judeus como povo. Para os seus vizinhos, Israel permaneceu uma presença estranha estabelecida à força em solo árabe e consequentemente inaceitável. Como mínimo, eles exigiram a devolução das fronteiras fixadas em 1947 pela partição e repatriação feita pelas Nações Unidas dos refugiados palestinianos que tinham abandonado o país. Por causa da hostilidade árabe em relação a Israel, o governo manteve restrições às liberdades civis aos cidadãos árabes de Israel até 1966. As fronteiras precárias de Israel eram periodicamente expostas a ataques de guerrilha dos países vizinhos. Israel reagiu contra tais ataques ao juntar-se à França e à Grã-Bretanha para atacar o Egito em 1956, mas foi forçado pela pressão internacional a devolver o Sinai e Gaza ao controle egípcio em 1957.
Enquanto que as causas diretas da Guerra dos Seis Dias de junho de 1967 foram as provocações egípcias dirigidas contra Israel, a guerra era, num sentido mais profundo, mais uma batalha das guerras de 1948-1949 e 1956. As causas imediatas da guerra iniciaram-se com o anúncio da Síria, em maio de 1967, de que Israel estava a enviar tropas em massa para a sua fronteira. O Egito sentiu-se obrigado a ir em defesa da Síria, e o presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, solicitou a retirada da Força de Emergência das Nações Unidas das linhas de cessar fogo israelo-árabes e que fechasse o estreito de Tiran aos barcos israelitas. Moshe Dayan tornou-se o ministro da Defesa israelita. A 30 de maio, o rei Hussein da Jordânia assinou um pacto mútuo de defesa com Nasser, convencendo o gabinete israelita de que o ataque árabe estava iminente. Israel fez um ataque antecipado a 5 de junho; a força aérea israelita apanhou a força aérea egípcia estacionada no solo, destruindo a força militar mais efetiva do mundo árabe. No Sinai, nos dias que se seguiram, o exército israelita esmagou as tropas egípcias. O rei Hussein decidiu entrar na guerra; o preço que a Jordânia pagou foi a perda de Jerusalém oriental. A Síria, por seu lado, sofreu um assalto frontal de Israel até aos montes Golan. Na altura em que o Conselho de Segurança das Nações Unidas conseguiu o cessar fogo, a 11 de junho, Israel obteve uma espetacular vitória militar sobre os seus três oponentes, adquirindo com este sucesso um novo sentido de segurança face ao medo da derrota.
Israel anexou imediatamente a antiga cidade de Jerusalém. Os árabes que aí viviam podiam escolher entre a cidadania israelita ou jordana mas a maior parte continuou com a sua identidade jordana. Na parte oeste e faixa de Gaza, Israel, governando através de uma administração militar, começou a construir uma série de habitações para os judeus israelitas. Os árabes que viviam nessas áreas não tinham nem cidadania israelita nem voz ativa no seu próprio destino.
Após o choque da derrota árabe na guerra de 1967, os palestinianos concluíram que só eles poderiam recuperar aquela que para eles era a sua terra natal. A Organização para a Libertação da Palestina (O.L.P.) encetou uma série de ataques a Israel e aos territórios ocupados. As forças israelitas retaliaram atacando os países "anfitriões": a Jordânia e o Líbano. A partir da altura que os palestinianos insistiram no seu direito para agir independentemente, a Jordânia tornou-se um campo armado no qual o governo real era somente um entre várias potências. Durante o "setembro Negro" de 1970 o exército do rei Hussein expulsou os militares palestinianos. Vindos da Jordânia, os elementos da OLP concentraram as suas atividades no Líbano. Israel, após se ter defrontado com o Egito no canal de Suez em 1969-1970, virou-se para a OLP no Líbano. A estratégia israelita era induzir os libaneses a esmagarem a OLP no seu país, como o rei Hussein tinha feito na Jordânia, mas esta política não foi bem sucedida devido ao fraco poder das forças armadas libanesas.
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