Guerras do Sudeste Asiático

No final dos anos 50, com a Guerra Fria, um conflito latente mas não efetivo entre as duas maiores potências mundiais - os Estados Unidos e a União Soviética -, e com o início do desanuviamento da Europa, os confrontos internacionais mudaram de facto, passando a concentrar-se na região do Sudeste Asiático.
A Ásia do Sudeste como conceito geopolítico surgiu por volta de 1942. Contudo, os conflitos neste território do globo remontam a épocas anteriores, fazendo dele um ponto frágil dentro do equilíbrio mundial.
Em Oitocentos este era um dos pontos mais proveitosos da expansão colonial dos países imperialistas (Inglaterra, França, e Países Baixos) e um local de disputa com a China. Entre 1925 e 1930 aqui estiveram em ação os partidos comunistas, numa época em que os camponeses de Java, das Filipinas e do Vietname viviam na miséria.
Uma nova vaga de poder nasceu com uma alteração conjuntural na década de 1940. O Japão fez ruir os impérios coloniais europeus; dava-se a primeira guerra da Indochina; e a Indonésia e a Birmânia atravessavam um difícil processo de descolonização.
Nesta região, as populações debatiam-se com um conjunto de questões inquietantes. Debatia-se a possível união francesa; o tipo da hegemonia social dos novos estados; o neutralismo; o modelo de desenvolvimento norte-americano; e a relação com a União Soviética e a China, etc.
O Vietname estava bem no centro do conflito. Depois do insucesso da unificação, prevista em Genebra em 1945, rejeitada pelo Governo dos Estados Unidos, a guerra voltou a acender-se no Sul. Em 1955, o Governo de Ngô Dinh Diêm, apoiado pelos norte-americanos, tentou exterminar a influência comunista vinda do Norte. E em 1958 foi constituída, no Sul, a Frente Nacional de Libertação (FNL), cujas guerrilhas iam progredindo num curto espaço de tempo.
O Governo de Diêm não foi capaz de lhes fazer frente, tentando a via da neutralidade. Diêm foi então eliminado, em 1963, talvez por iniciativa do Governo de Washington segundo alguns analistas militares. Os americanos pretendiam instalar no Sul, no que não tiveram sucesso, um estado militar do tipo sul-coreano.
No Tet, em 1968, a ofensiva comunista já anunciava o insucesso da política norte-americana, sem grande margem de manobra, incapacitada pela constatação de um amplo movimento pacifista que corria no Mundo. Em 1959 fora o Laos; em 1970 o Camboja.
Em 1965 uma violenta repressão pôs fim ao partido comunista da Indonésia. Na Tailândia, avançava a luta armada comunista, e nas Filipinas estava em gestação o New People Army.
Os americanos, ou por outra, o Governo de Nixon-Kissinger, tentavam por todos os meios travar este processo de marxização do Sudeste Asiático e enfraquecer os seus inimigos. No ano de 1971 tentaram negociar diretamente com a China, que reconheceu as suas pretensões quanto à Indochina; por outro lado, os americanos procuravam evidenciar as tensões mantidas entre comunistas nacionais, indochineses e chineses.
A guerra do Vietname terminou em 1978 com a humilhação dos Estados Unidos e com a mutação do Camboja, transformado numa república satélite do Vietname. A China, entretanto, armava os khmers vermelhos comunistas. À exceção das Filipinas, a luta comunista decresceu, todavia, e a intervenção da URSS tinha tendência a aumentar.
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