habitats marinhos

Cerca de 75% da superfície terrestre está coberta de água, da qual cerca de 71% é salgada, formando os habitats dos mares e oceanos. A composição destas águas condiciona muito a vida dos organismos aquáticos. Nos oceanos abertos, a salinidade é relativamente uniforme e, por consequência, não limita a distribuição e abundância dos organismos que neles se encontram. No entanto, a luz solar e os nutrientes variam muito, criando diferentes ambientes, complexos, que influenciam as comunidades dos organismos que vivem no mar.
No que diz respeito aos habitats marinhos, os ecologistas questionam quer os diferentes ecossistemas formados nos mares abertos quer o oceano como um ecossistema gigante que é constantemente homogeneizado pelas correntes de água oceânicas.
O primeiro ponto de vista é fundamentado pelos estudos que claramente revelam que nos oceanos há locais específicos onde os nutrientes circulam no sentido ascendente, originando uma comunidade localizada onde vivem muitas espécies de organismos em grande número, podendo encontrar-se comunidades diferentes em áreas adjacentes. Cada uma destas áreas localizadas mostra uma incomparável ordem biológica e regulação lógica. Pela sua uniformidade devida à sua invulgar composição física e biológica, alguns ecologistas afirmam que estas áreas são ecossistemas marinhos distintos. Outros estudos estabelecem que as diferentes características e comunidades também existem noutras regiões dos oceanos. Em 1988, Richard Barber afirmou que estes limites podem facilmente desaparecer e que as comunidades marinhas podem não ser consideradas ecossistemas separados. Richard Barber chamou a atenção para o facto de, em 1983, no pico do El Ninõ, as grandes alterações de temperatura e de circulações oceânicas terem eliminado os limites. Uma vez que o El Ninõ, reaparece mais ou menos de 5 em 5 anos, Barber sugeriu que o conceito de ecossistema como tem sido definido, com limites constantes, é mais aplicável na Terra do que no oceano. Contudo, quando os efeitos de um El Ninõ desaparecem, os limites dos ecossistemas reaparecem.
Os ecossistemas marinhos encontram-se nos oceanos de águas de pouca profundidade que rodeiam os continentes, ilhas, recifes, na zona inter-marés e na zona pelágica, também chamada oceano aberto. Os biólogos subdividem a enorme zona pelágica em três camadas verticais: a zona superior ou zona epipelágica, bastante luminosa, a zona mesopelágica, medianamente iluminada, intermédia, e a zona batipelágica, sempre sem luz.
O fundo oceânico é designado como zona bêntica.
Na zona pelágica, são dois os importantes fatores físicos, luz solar e nutrientes, que variam de local para local. A luz solar normalmente não penetra no oceano a profundidades superiores a 100 metros. Considerando que a média das profundidades oceânicas é de 3,9 quilómetros, a zona epipelágica é muito fina, permitindo a fotossíntese só em cerca de 2 por cento do volume dos oceanos. Nesta zona epipelágica onde os nutrientes são abundantes, prosperam grandes populações de fitoplâncton.
O fitoplâncton é constituído por bactérias e algas fotossintéticas que se deslocam com as correntes oceânicas e fornecem energia e nutrientes para as espécies animais que habitam esta região. A maior parte do fitoplâncton é comido pelo zooplâncton, pequenos crustáceos, larvas de invertebrados e peixes que são suficientemente pequenos para serem arrastados pelas correntes oceânicas. Os peixes maiores alimentam-se do zooplâncton ou dos dois, fitoplâncton e zooplâncton. Uma baleia azul come, por dia, 3 toneladas de plâncton.
Como a zona mesopelágica não recebe luz suficiente para ocorrer fotossíntese, não contém fitoplâncton. Os habitantes desta zona podem fazer migrações diárias para as zonas epipelágica ou batipelágica para se alimentarem. Grandes peixes, baleias, chocos e lulas são os principais predadores da zona mesopelágica. Comem pequenos peixes e restos ou carcaças de organismos que habitam a zona epipelágica.
Na zona bêntica não existem plantas ou bactérias capazes de captar energia, exceto comunidades pouco comuns que rodeiam fissuras e fendas dos fundos oceânicos. Esta zona "negra" é habitada principalmente por bactérias heterotróficas e necrófagos que se alimentam de uma chuva constante de restos de seres vivos, detritos orgânicos e cadáveres que se depositam no fundo, bem como predadores que se alimentam de necrófagos e se comem uns aos outros. Os habitantes dos fundos marinhos incluem esponjas, anémonas-do-mar, bem como uma variedade de peixes cegos, alguns com filamentos fluorescentes que podem atrair potenciais presas.
A grande concentração de vida marinha habita as zonas costeiras ou zona nerítica, ao longo das orlas continentais e dos rochedos isolados. Além de luz abundante, as águas costeiras são geralmente ricas em nutrientes que são continuamente carreados dos continentes. Ondas, ventos e marés agitam constantemente as águas costeiras, distribuindo nutrientes. Banhados em luz e nutrientes, os organismos fotossintéticos crescem a taxa elevada e em grande profusão, fornecendo grande quantidade de alimentos e habitats para uma enorme multidão de peixes, artrópodes, moluscos e mamíferos.
As águas costeiras colocam alguns problemas aos organismos. Mar agitado, ondas fortes podem esfrangalhar ou esmagar os organismos contra as rochas. Muitos animais costeiros têm adaptações, físicas e comportamentais, que os protegem deste movimento das águas. Alguns permanecem em buracos, outros possuem conchas, outros têm adaptações para se fixarem aos objetos. Como a força das marés e das ondas pode facilmente arrastar indivíduos para a costa ou para o mar largo, um número significativo de indivíduos costeiros adaptaram-se a viver fixos a determinados locais.
Por exemplo, as algas utilizam um disco para se fixarem às rochas, os mexilhões fixam-se pelo bissus, uma lapa fixa-se pelo seu pé. A fixação e a dispersão de muitas espécies é determinada pela direção das correntes marinhas. Por exemplo, as larvas podem ser arrastadas para locais distantes do local onde ocorreu a eclosão dos ovos.
Águas pouco profundas também se encontram ao longo dos recifes de corais. Desenvolvem-se numerosas comunidades nestas águas quentes e tropicais. Por exemplo, foram identificadas cerca de 800 espécies de peixes em torno de uma pequena ilha na orla sul da Grande Barreira de Recifes da Austrália. Na orla norte identificaram-se mais de 1500 espécies. Segundo a sua localização, os recifes de coral são classificados em três tipos: orla de recifes, que se localizam afastados das costas de ilhas e continentes; barreiras de recifes, quando estão separados das costas por canais ou lagunas e atóis, que são ilhas de coral com uma lagoa central.
Os recifes de corais só se formam nas regiões tropicais (a latitudes de 30o Norte e 30o Sul).
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