Haiti

Geografia
País das Caraíbas. O Haiti ocupa a parte ocidental da ilha de Hispaniola, uma das Grandes Antilhas do mar das Caraíbas, e abrange uma área de 27 750 km2. Faz fronteira com a República Dominicana a leste e é banhado pelo oceano Atlântico a norte e pelo mar das Caraíbas a oeste e a sul. As principais cidades são Port-au-Prince, a capital, com 1 156 400 habitantes (2004), Carrefour (399 100 hab.), Delmas (338 700 hab.), Cap-Haïtien (129 500 hab.) e Pétionville (98 100 hab.).
A paisagem haitiana é dominada pela sucessão de sistemas montanhosos cortados por planícies férteis e densamente povoadas.
Clima
O clima é tropical húmido, embora possua características próprias resultantes da altitude e da forte influência marítima.

Economia
A agricultura é a principal atividade económica e as suas principais produções para exportação são o café, a cana-de-açúcar e o cacau. Contudo, na sequência do aumento populacional registado no país, os agricultores têm incrementado a produção de milho, arroz, fruta e vegetais.
A atividade piscatória é de pouca relevância dado o estado de subdesenvolvimento em que se encontra. Quanto ao setor industrial, também este reflete a conjuntura económica do país, não conseguindo arrancar para fases superiores de rendimento, devido não só ao pequeno mercado que o Haiti representa, mas também à concorrência que os produtos importados dos Estados Unidos da América e da República Dominicana, de qualidade superior, lhe fazem. Ainda assim, as indústrias dedicadas ao processamento de componentes eletrónicos e de têxteis conseguem sobreviver à custa do escoamento que o mercado norte-americano proporciona. Os principais parceiros comerciais do Haiti são os Estados Unidos da América, a França, a Alemanha e o Japão.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 0,2.

População
A população era, em 2006, de 8 308 504 habitantes. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 36,44%o e 12,17%o . A esperança média de vida é de 53,23 anos. Estima-se que, em 2025, a população seja de 9 550 000 habitantes. Em termos étnicos, os negros correspondem a 95% da população. As religiões mais representativas são o catolicismo (69%) e o protestantismo (24%). A língua oficial é crioulo haitiano e o francês.

História
A ilha, que inclui o Haiti e a República Dominicana, foi descoberta por Cristóvão Colombo a 6 de dezembro de 1492, recebendo então o nome de ilha Hispaniola. Até à cedência do terço ocidental da ilha à França (passando a chamar-se Santo Domingo), em 1697, a presença espanhola caracterizou-se pela opressão exercida sobre os naturais da ilha, quer utilizando-os como escravos quer exterminando-os pela guerra, repovoando a ilha com escravos africanos. A utilização destes escravos foi prosseguida pelos Franceses, que tornaram a ilha na colónia mais próspera do Novo Mundo, graças às explorações rendáveis de açúcar, café, cacau e algodão. Em 1791, com o advento da Revolução Francesa, os escravos (que constituíam mais de 90% da população) revoltaram-se, conseguindo a independência de toda a ilha em 1804, sendo batizada então de Haiti. Desta data em diante, teve lugar uma sucessão de revoluções e golpes de estado que consecutivamente levaram ao poder regimes ditatoriais, situação esta que desestabilizou a região, dado que várias foram as tentativas haitianas de anexar a República Dominicana. Em 1915, os Estados Unidos ocupam o Haiti sob o pretexto de urgente intervenção humanitária. Até 1934, os Norte-Americanos empreendem um programa de obras públicas com base em trabalhos forçados, o que foi conseguido através de uma política desfavorável às pretensões sociais dos Haitianos, ou seja, afastando-os do poder político, administrativo, económico e social. Embora a retirada dos norte-americanos tenha ocorrido em agosto de 1934, a verdade é que os Estados Unidos mantiveram um controlo indireto sobre o país até 1947. Com a saída dos Norte-Americanos veio um novo período de instabilidade governamental, o qual terminou em setembro de 1957 com a eleição de François Duvalier para a presidência da República. Duvalier pôs então em prática uma política a todos os níveis repressiva, constituindo mesmo um exército particular cujo objetivo único era aterrorizar a população. Apesar das pressões externas e do descontentamento social, François Duvalier manteve-se no poder até à sua morte em 1971, sucedendo-lhe o seu filho, Jean-Claude Duvalier, que, embora mantendo o poder político absoluto, diminuiu a repressão ao ponto de obter ajuda externa, sobretudo dos Estados Unidos. A 7 de fevereiro de 1986, Jean-Claude Duvalier é deposto pelos militares, que aproveitaram uma conjuntura favorável provocada pelo descontentamento popular. As primeiras eleições livres na história do Haiti realizaram-se em 1990, levando à presidência da República Jean-Bertrand Aristide, que, um mês depois, viu os seus apoiantes ganharem as eleições legislativas. No entanto, em setembro de 1991, um junta militar depôs Aristide, substituindo-o pelo Brigadeiro Raoul Cédras. Em consequência disso, os Estados Unidos impuseram um embargo político e económico cujos resultados foram diminuídos pelo contrabando existente com a República Dominicana. Sob a égide da ONU e da OEA (Organização dos Estados Americanos), os Estados Unidos negociaram o regresso de Aristide ao poder, mas o processo foi bloqueado pelos militares haitianos. Só quando a ONU autorizou uma hipotética invasão do Haiti por parte dos Estados Unidos é que foi possível à missão de paz norte-americana desbloquear as negociações, permitindo o regresso de Aristide ao país (15 de outubro de 1994), ao mesmo tempo que obrigava os militares no poder desde 1991 (coronel Joseph Michel François, comandante da Polícia; general Raoul Cédras, comandante das Forças Armadas; e general Philippe Biamby, chefe do Exército) a exilarem-se na República Dominicana (cor. François) e no Panamá (gen. Cédras e gen. Biamby).
Nas eleições de 1995, Aristide não pôde concorrer, de acordo com a Constituição vigente no país que só permite um mandato. Assim sendo, René Prével torna-se presidente do país, prometendo o desenvolvimento económico do país. Contudo, durante o seu mandato várias greves, geralmente causadas por insatisfação salarial, foram levadas a cabo, denotando a crise económica que assolava o país. A violência aumentou e não havia estruturas para combater a situação. Para tal, contribuiu também a instabilidade governamental, com a demissão, em 1997, do primeiro-ministro Rosny Smarth e a rejeição por parte do parlamento dos dois primeiros candidatos ao lugar escolhidos pelo presidente. Jacques-Edouard Alexis (o terceiro nome apontado pelo presidente) ocupou, finalmente, o cargo quando Prével tomou a atitude de o eleger por decreto, não reconhecendo o poder parlamentar. Novas eleições para o parlamento foram requeridas pelo primeiro-ministro. Em 2000, o partido então no governo, Famni Lavalas, é reeleito por maioria. No ano seguinte, Aristide concorre novamente à presidência da República e vence as eleições, que foram de imediato contestadas pela oposição, situação para a qual não foi encontrada solução imediata. No mesmo ano, o Palácio Nacional foi alvo de um ataque, que provocou vítimas mortais mas ao qual o presidente sobreviveu.
Em fevereiro de 2002 o então primeiro-ministro Cherestal demitiu-se, tendo sido substituído por Yvon Neptune no mês seguinte.
A situação política e de tensão agravou-se quando o grupo rebelde do Norte, chefiado por Guy Philippe (ex-comissário da polícia), resolveu agir atacando vários pontos do país, com o objetivo de pressionar Aristide a demitir-se. Entretanto, a população recebia ajuda do PAM (Programa Alimentar Mundial) para fazer face à situação de miséria. No início de 2004, Aristide apelou à mobilização dos seus partidários de forma a poder garantir o seu mandato até ao final, prometendo pôr fim à miséria e restabelecer a paz. O país assistiu a várias manifestações nesse sentido, mas a pressão, os ataques dos rebeldes, o clima de violência e pilhagem que se geraram em consequência da instabilidade política e da crise económica levaram a que o presidente Jean-Bertrand Aristide anunciasse a sua demissão a 29 de fevereiro de 2004 e à sua consequente saída do país. Foi interinamente substituído por Boniface Alexandre.
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