Hanna Schygulla

Atriz alemã, Hanna Schygulla nasceu na cidade polaca de Katowice, no dia de Natal de 1943. Finda a guerra, instalou-se na então Alemanha Federal. Em 1966, concluiu o curso de Literatura Alemã na Universidade de Munique, mas decidiu enveredar pela carreira de atriz. Em 1967, associou-se a um grupo de teatro experimental e foi durante a encenação duma peça que conheceu o realizador Rainer Werner Fassbinder de quem se tornou uma frequente colaboradora, participando em 20 filmes dirigidos por Fassbinder. Estreou-se cinematograficamente com um pequeno papel em Der Bräutigam, die Komödiantin und der Zuhälter (1968), seguindo-se a primeira parceria com o realizador alemão em Liebe ist Kälter als der Tod (O Amor é Mais Frio que a Morte, 1969). No início da década de 70, trabalhou frequentemente em telefilmes e séries televisivas, parecendo condenada a seguir uma carreira televisiva até que Fassbinder a resgatou para protagonizar o mítico Die Bitterin Tränen der Petra von Kant (As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, 1972) onde desempenhou, de forma audaz e provocatória, o papel duma lésbica que se torna amante duma poderosa e rica estilista (Margit Carstensen). O seu trabalho seguinte também mereceu rasgados elogios: em Effi Briest (1974), onde desempenhou a personagem que deu título ao filme, uma delicada mulher da alta sociedade do século XIX que para se vingar da falta de atenção por parte do seu marido, resolve desafiar as convenções, envolvendo-se num adultério condenado à partida. Mas o filme que viria a celebrizá-la definitivamente a nível internacional foi Die Ehe der Maria Braun (O Casamento de Maria Braun, 1978). Aqui, representou a esposa de um soldado combatente da Segunda Grande Guerra, que espera pelo seu regresso, mas que decide combater a penúria de forma corajosa, montando gradualmente as fundações dum grande complexo industrial. A sua composição comoveu plateias de todo o mundo e valeu-lhe a atribuição do prémio para Melhor Atriz no festival de Berlim. Rubricou também um eficiente trabalho na fábula anti-terrorista de Fassbinder Die Dritte Generation (A Terceira Geração, 1979) e protagonizou a série televisiva Berlin Alexanderplatz (Berlim, Praça Alexandre, 1980). Lili Marleen (1981) foi o seu último trabalho com Fassbinder. Após a morte do realizador, em 1982, Schygulla trabalhou com outros diretores: Jean-Luc Godard em Passion (Paixão, 1982) e Ettore Scola em La Nuit de Varennes (A Noite de Varennes, 1982). Procurou em seguida fazer carreira em Hollywood, mas não conseguiu mais do que papéis secundários em The Delta Force (A Força Delta, 1986) e Dead Again (Viver de Novo, 1991). Nos finais da década de 90, surpreendeu ao dedicar-se a uma carreira musical, tendo passado por Portugal numa tournée europeia em 2000.
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