Hatshepsut

Filha única de Tutmósis I e da rainha Ahmose-Nebetta, o seu nome significa "a primeira das damas nobres". Casou com o meio-irmão Tutmósis II, que morreu cedo (1479 a. C.). Subindo ao trono o filho de Tutmósis II com uma segunda mulher (uma vez que a rainha apenas tinha dado à luz uma filha, Neferure), Hatshepsut foi regente na menoridade de Tutmósis III. Sete anos após o início do reinado deste faraó, Hatshepsut declarou o seu estatuto divino e de faraó, contando com o apoio dos altos funcionários da corte e sobretudo com Senmut (que arquitetaria o templo de Deir el-Bahari) e Hapuseneb (sumo-sacerdote de Amon), personagens a quem ela tinha conferido muito poder. Tornou-se assim a quinta governante da XVIII Dinastia, reinando (presumivelmente em corregência mas efetivamente com a totalidade do poder) aproximadamente entre o ano 1479 e 1457 a. C.
A legitimação da sua ascensão ao trono foi transmitida pela arte, que representa por diversas vezes (como no templo de Deir el-Bahari) a transformação do deus Amon no pai de Hatshepsut aquando da conceção e portanto lhe confere uma origem divina. Outra forma de impôr a autoridade era a representação como homem, com barba postiça.
Hatshepsut enviou uma embaixada ao país do Ponto (que se pensa corresponder à Somália), de onde provinham produtos raros e grandemente apreciados como o incenso, ao Sinai e a Biblos.
A sua queda deu-se quando Tutmósis III - que entretanto tinha casado com Neferure - conseguiu lutar contra a rainha e impôr-se como faraó. O túmulo de Hatshepsut, que não se sabe como terá morrido e cuja múmia não foi encontrada, é um dos mais significativos do Vale dos Reis. O poder nas mãos de uma mulher foi um facto tão inusitado que foi considerado vergonhoso e contra-natura pelos sucessores, que fizeram todos os esforços para apagar as suas representações e vestígios.
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