Hegemonia Socio-cultural Norte-americana

Os hábitos norte-americanos propagaram-se sobretudo através da publicidade, tendo os hábitos sexuais sofrido uma reviravolta com o surgimento da pílula anticoncetiva e difusão de outros métodos anticoncecionais na América nos anos 60, sendo o célebre caso judicial "Roe contra Wade" despoletador de uma atitude cada vez mais permissiva em relação ao aborto. De facto, esta autêntica revolução sexual iniciou-se com a publicação, em 1948, da obra "A vida Sexual do Homem", de Alfred Kinsey, que condenou a forma de educar sexualmente as crianças e os adolescentes, reprimindo-lhes o surgir de questões naturais, sendo que a publicação, em 1953, de um livro de temática idêntica em relação à mulher, em 1953, alargou as perspetivas neste âmbito. Difundiram-se assim, e partir deste centro, os hábitos sexuais pré-maritais, entre outros, como o do consumo de drogas, popularizado pelo movimento hippy e pela beat generation. O movimento hippy inaugurou uma época em que os jovens de todo o mundo vestiam roupas largas, étnicas e desestruturadas, que correspondiam ao ideal de desdém pelo luxo e vocacionado para a espiritualidade.
As drogas duras foram popularizadas por personagens tão célebres como Aldous Huxley, Jack Kerouac e Thimoty Leary nos anos 50, sendo elas uma característica dos bandos urbanos juvenis. Em 1953 lançou-se o primeiro número da revista Playboy de Hugh Hefner, cujo sucesso foi garantido pelo público masculino e provocou o aparecimento de mais revistas de conteúdo similar, iniciando-se a eliminação progressiva de tabus sexuais. O surgimento do rock and roll e de Elvis Presley marcou a moda dos casacos com chumaços e os sapatos de ponta. Em 1955 o mundialmente difundido McDonalds era criado por Ray Kroc, inaugurando-se a febre do fast food que cedo chegaria à Europa. No referente à habitação, imperava nos anos 50 o modelo tipicamente americano de conseguir uma vivenda com jardim numa urbanização, uma vez que as famílias eram numerosas e eram necessárias casas espaçosas, quase sempre dotadas dos mais modernos eletrodomésticos, para além de cada agregado possuir normalmente dois carros. Tal era possível pelo favorável crescimento económico e riqueza das famílias durante os anos 50 e 60. Aliás, o frigorífico, a par da Coca Cola e da escova de dentes em nylon, seriam três dos elementos básicos para a difusão da forma de vida americana.
Os anos 50 seriam marcados pelo american way of life, modelo capitalista que marcou o Ocidente. Vulgarizou-se o automóvel, o side-car, o hulla-hoop e a prancha de surf, sendo o consumo televisivo uma necessidade quotidiana imprescindível e os cinemas e restaurantes drive-in um ex-libris norte-americano.
Os anos 60 assinalariam o derrubar de preconceitos desatualizados e conservadores, característicos da burguesia, por intermédio das danças sensuais (twist e mambo), de ídolos cinematográficos masculinos e femininos com forte cariz sexual, o anti-consumismo e ataque aos costumes estabelecidos pelos hippies.
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