Hélder Prista Monteiro

Médico português, nascido em 1922, em Lisboa, e falecido a 1 de novembro de 1994, consagrou a sua carreira literária ao teatro. Normalmente inserida no teatro do absurdo, sob a influência de Ionesco, Pinter, Beckett, a obra de Prista Monteiro releva essencialmente de um implícito apelo à transformação social e das relações humanas, mostrando frequentemente como um simples objeto (uma bengala, um colete de xadrez, uma caixa de esmolas, uma chávena), desejado, ostentado ou perdido, pode ser a pedra de toque para pôr em causa o artificial equilíbrio social, lançando as personagens num processo de degradação que culminará numa trágica derrocada. Numa harmonização entre conteúdo e forma, visível no desenho e evolução das personagens ou na perfeição da construção, a obra de Prista Monteiro tem como fulcro aquilo que Luzia Maria Martins (cf. prefácio a A Caixa, Lisboa, 1981) chama o verdadeiro vanguardismo, isto é, a capacidade de renovação e experimentação, de peça para peça, ao nível dos recursos linguísticos, temáticos e compositivos.
Como referenciar: Hélder Prista Monteiro in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-11-27 12:10:11]. Disponível na Internet: