Artigos de apoio

Henrik Ibsen
Considerado um dos precursores do teatro moderno, Henrik Ibsen nasceu a 20 de março de 1828, em Skien, na Noruega. Pertencia a uma família numerosa e arruinada. Foi aprendiz numa farmácia mas, ambicioso, conseguiu terminar o liceu e chegou a inscrever-se em Medicina. Os seus interesses iam, contudo, para a política e para a literatura. Em 1850 publica a peça Catilina e escreve O Túmulo do Guerreiro. Trabalha para jornais e torna-se encenador do "Teatro Nacional Norueguês". Na viagem que faz à Alemanha e à Dinamarca descobre a obra de Shakespeare, a filosofia de Kierkegaard e o livro de Hermann Hettner Das Moderne Drame. Estas influências vão fazer-se sentir no seu trabalho: A Noite de S. João (1853), A Senhora Inger de Oestraat, (representada em 1855), e A Festa em Solhaug (inspirada pelas sagas islandesas e o seu primeiro grande sucesso). A Comédia do Amor (1862) reflete o seu pessimismo, satirizando o casamento. No ano seguinte, Os Pretendentes à Coroa retomam os temas históricos noruegueses.
As tomadas de posição críticas e polémicas de Ibsen fazem dele uma personagem incómoda em certos meios. O posto de conselheiro cultural do "Teatro Norueguês" em Cristiânia (atual Oslo), oferece-lhe a oportunidade de viajar e fixa-se em Itália e depois na Alemanha. As suas primeiras obras-primas, Brandt (1866) e Peer Gynt (1868) evidenciam a atração pela dialética dos extremos opostos, resumida na expressão "ou tudo ou nada". O autor valoriza a manifestação da vontade e da personalidade humanas, atacando a cobardia e o espírito conformista. Imperador e Galileu (1877) é a última obra desta fase romântica.
As suas preocupações tornam-se predominantemente políticas, sociais e éticas e surge assim o seu período naturalista, de observação da realidade e de crítica às estruturas da sociedade. A União dos Jovens (1868) e Os Pilares da Sociedade (1877) atacam a moral burguesa. A Casa da Boneca (1879), para além do tema da liberdade e da igualdade dos sexos, aponta um tema novo, explorado igualmente em Os Espetros (1861), o de que "o nosso passado nos persegue". Um Inimigo do Povo (1882), é a luta contra a mediocridade de um homem só em face dos outros. Em O Pato Selvagem (1884), embora tratando de um drama social, as preocupações políticas são menos evidentes e a peça deixa transparecer uma simbologia pessimista que se vai acentuar em Rosmersholm (1886). A Dama do Mar (1888) e Hedda Gabler (1890) analisam as profundezas do inconsciente humano. Ibsen regressa à Noruega em 1891, merecendo o respeito e a admiração de todos. Escreve ainda Solness, o Construtor (1892), O Pequeno Eyolk (1894), João Gabriel Borkmann (1896), e Quando Acordamos entre os Mortos (1899), antes de morrer em 1906.
Em Ibsen, o culto do individualismo é fundamentado na necessidade de realização pessoal, só possível através da sinceridade para consigo mesmo. A recusa da mediocridade mais não é do que recusa da indiferença e do conformismo social. A vontade é, assim, um dos temas predominantes do seu teatro, o que não exclui uma interrogação permanente e por vezes angustiada.
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