heráldica

A heráldica é uma ciência auxiliar da História e da História da arte, relacionada com a Genealogia, caracterizando-se por ser a arte ou forma de descrever e interpretar as representações de símbolos e cores inscritos em pedras de armas com intuito de identificar indivíduos ou famílias e clãs. A sua origem é muito antiga. Ganhou dimensão na Idade Média, para identificar contundentes em guerras, torneios, bafordos ou justas, ou então propriedades.

Quase todas as civilizações em todos os tempos da História possuíram elementos distintivos de pessoas, instituições, corporações, cidades e países, entre outros, que a partir da Idade Média (por volta do século XIII), na Europa, começaram a ser subordinados a regras que se foram tornando cada vez mais específicas, à medida que o uso do escudo de armas se foi generalizando e sendo utilizada não só por famílias como por ordens e instituições religiosas, órgãos de soberania e diversas outras instituições. 

A heráldica surgiu, assim, pela necessidade de identificar as pessoas detentoras de alguma importância social e de títulos nobiliárquicos tanto em torneios como nos campos de batalha. Acresce-se que na altura do seu surgimento na Europa da Idade Média, eram raras as pessoas que sabiam ler e escrever, pelo que o escudo de armas funcionou também como assinatura ou forma de legitimação e de identificação. 

Assim, começou-se a utilizar uma espécie de túnica ou casaco por cima da armadura (que se chamaria escudo de armas), distinta para cada pessoa, e os padrões, desenhos ou outros elementos presentes neste casaco estavam também na bandeira, no escudo e na cobertura do cavalo, passando posteriormente para a indumentária e objetos utilizados na vida civil. Nenhum homem podia utilizar o mesmo escudo de armas, e foram-se juntando outros elementos distintivos como um pequeno véu (mantel) sobre o elmo, que por vezes era dobrado no topo formando o virol, e o paquife, um véu maior que descia pelas costas do cavaleiro para isolar o calor da armadura e absorver o suor; sobre o mantel, o paquife, o virol e por vezes um chapéu, uma coroa ou coronel colocou-se então o timbre (muito valorizado nos países nórdicos), que era inicialmente feito em couro fervido ou esculpido em madeira leve e tinha formas diversas, como as de animais, por exemplo. 

O elmo, representado normalmente em prata (excetuando-se as armas nacionais e as reais, em que é em ouro), pode aparecer em diversas posições: aberto, de frente; aberto, fechado com grade; a três quartos virado para a direita; de perfil para a esquerda; e de perfil para a direita. O conjunto formado pelo elmo, paquife, virol, chapéu ou coroa ou coronel e timbre, ao qual se juntava frequentemente uma filactera (faixa longa e estreita) com o mote da pessoa ou família aparece sobre o escudo. 

O escudo de armas é composto através de regras muito precisas, denominadas regras de brasão. No que diz respeito às mulheres, as filhas tinham permissão para usar as armas do pai num escudo em forma de losango e quando casavam estas armas eram colocadas ao lado das do marido, no escudo deste, chamando-se a este processo "empalamento". O filho varão mais velho de uma família usava uma marca distintiva (lambel) no seu escudo em vida do pai, visto que os escudos de ambos eram idênticos. 

Esta marca era retirada por morte do pai. Os demais filhos varões faziam pequenas alterações nas armas, como mudança de cores, adição ou subtração de elementos ou combinação com outras armas. O escudo de armas em si pode ter formas diversas (tipo inglês, tipo francês, germânico, ponta em ogiva, peninsular, losangular ou lisonja, oval, circular, quadrado...) e ser dividido de vária maneiras (cortado, partido, franchado, fendido, esquartelado e talhado) e compõem-se, no que diz respeito à cor, por esmaltes e metais. 

Os esmaltes são as cinco cores utilizadas (vermelho, verde, azul, negro e púrpura, apesar de aparecer em certos locais o laranja) e os metais a prata e o ouro (que podem aparecer como branco e amarelo, quando é impossível serem representados na sua condição de metais). As peças móveis ou fixas (asnas, pálios, bordaduras, bandas, faixas, palas, barras, cruzes, bandas...) ou elementos figurativos (animais, objetos, elementos da Natureza, figuras humanas...) podem também ser dispostas de maneiras diversas (roquete, aspa, faixa, pala) sobre o campo do escudo, que além de poder ter umas das cores mencionadas pode também ser em veiro ou arminho (chamadas "peles", por representarem a pelagem dos animais em questão). 

Os demais elementos exteriores ao escudo, dos quais alguns foram acima mencionados, são acessórios, sendo o escudo o mais importante e valendo por si só.
Como referenciar: Porto Editora – heráldica na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-06-17 10:06:09]. Disponível em