Héstia

Divindade do Lar, deusa do fogo doméstico e do que ardia no altar dos deuses ("Lar", o local da casa onde estava o lume), era a mais velha entre os filhos de Cronos e de Reia - por isso, a primogénita dos deuses Olímpicos - sendo assim irmã de Zeus e de Hera, o casal supremo do Olimpo. Apolo e Poseidon tentaram seduzi-la, mas ela, como Artemisa ou Atena, votou-se perpetuamente à virgindade, tendo para tal tido a ajuda de seu irmão Zeus, que a guardou sempre. A sua virgindade representava a sua consagração plena a um objetivo sagrado: proteger as cidades, as colónias e os lares, zelando pelo seu bem-estar e segurança. Era por isso uma divindade com um carácter social e familiar, símbolo da concórdia e da estabilidade, na sociedade mas principalmente na família. Zeus foi de facto o seu grande protetor e apoiante, tendo-lhe conferido honras de grande dignidade e excecionalidade, como o culto nas casas dos mortais e nos templos de todos os deuses. O "fogo de Héstia" era também o que se utilizava nos rituais sagrados, o fogo perpétuo purificador que ardia nos templos e lares. Era também do fogo de Héstia que era levado pelos colonos gregos quando iam fundar uma nova cidade noutra região, como o fizeram na Magna Grécia, no sul de Itália, ou na Ásia Menor. O fogo grego iluminava assim a nova pátria, criando um elo de ligação sentimental e religioso. Héstia simbolizava também, por isso, a continuidade da civilização, a força divina que estava acima das revoluções, destruições, invasões ou migrações.
Héstia era a única divindade que estava permanentemente no Olimpo, dali nunca saindo, ao contrário dos outros deuses, que pelo mundo vagueavam. Estava sempre à margem das agitações dos deuses. Assumia-se assim como o centro religioso da montanha sagrada, residência dos deuses, pois entre os mortais também o lar era o local de culto da casa, onde a família ou os seus membros individualmente oravam e veneravam os seus deuses, com destaque para Héstia.
Este carácter eternamente residencial no Olimpo por parte de Héstia, dali nunca saindo, tornou-a uma divindade sem qualquer intervenção nas lendas dos outros deuses. Era acima de tudo uma entidade abstrata, o princípio de lar, assumindo-se pouco como uma divindade de carácter pessoal. Tinha culto em toda a Grécia, principalmente em Delfos, o centro do Universo para os Gregos, o seu Lar comum. Ali estava o fogo sagrado, onde todos os Gregos foram buscar uma chama para reavivar o lume em sua casa, pois os Bárbaros tinham-no apagado em tempos.
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