Hino Nacional Português

Também conhecido como a Portuguesa, o Hino Nacional Português teve como autores Alfredo Keil, na música, e Henrique Lopes de Mendonça, na letra. Tem na sua origem o Ultimato de 11 de janeiro de 1890 imposto pelos ingleses a Portugal, facto que indignou a Nação e exaltou os mais altos valores patrióticos. Dos comícios públicos à imprensa, à música e à caricatura, uma onda de crítica nacional aos britânicos espalhou-se por todo o País.

Não ficou imune a esta inflamação nacional Alfredo Keil, que logo quis compor uma marcha de protesto e exaltação dos valores e sentimentos pátrios. Para essa marcha escreveu depois Henrique Lopes de Mendonça os versos, surgindo em seguida o título da composição: A Portuguesa.

Raramente se compunham versos para música, era quase sempre o contrário, pelo que se verificava no Hino uma dificuldade de justaposição da poesia à música, esta composta de forma mais rápida e inspirada. Conseguiram-se vencer essas dessincronizações, embora sem se ultrapassar devidamente algumas divergências vocais. O Hino não demorou muito, no entanto, a estar pronto, pois já em fevereiro era conhecido popularmente, através da imprensa.

A Portuguesa teve um impacto nacional enorme, acusando excelente recetividade da população, que se revia na letra e facilmente entoava a melodia. Daí que durante a sublevação militar de cariz republicano que deflagrou no Porto em 31 de janeiro de 1891, a marcha dos amotinados foi precisamente a Portuguesa.

Deixou nesse momento então de ser um escape musical de exaltação dos sentimentos patrióticos da Nação para passar a ser uma marcha de alusão aos ideais republicanos emergentes. Caiu por isso em desgraça, depois do sucesso retumbante do início, vindo até a ser oficialmente proibida a sua entoação. Nunca se sobrepôs ao Hino da Carta, em vigor desde 1826, da autoria de D. Pedro IV. Antes deste hino pedrista, Frederico de Freitas considera que o que vigorava era talvez uma cantata de Marcos Portugal, La Speranza o sia l´augurio felice (para o aniversário de nascimento de D. João VI).
 

Com o advento da República em 5 de outubro de 1910 a Portuguesa irrompe de novo pela população, decretando-se mesmo logo em novembro o seu respeito e homenagem pelos militares sempre que entoado. Não obstante, só na sessão de 19 de junho de 1911 da Assembleia Constituinte é que se proclamou a Portuguesa como Hino nacional. A versão oficial só foi aprovada, porém, em 4 de setembro de 1957, por iniciativa do ministro da Presidência Marcello Caetano. Frederico de Freitas, compositor, maestro e musicólogo português compôs então uma versão sinfónica do Hino e depois surgiu uma versão marcial, pelo então major Lourenço Alves Ribeiro.

Diz-se que, em alguma das versões iniciais e por desdém aos ingleses devido ao vergonhoso Ultimato, na letra, ao contrário do atual "contra os canhões marchar, marchar" se cantava "contra os bretões, marchar, marchar"...

 

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