História da Vida do Padre Francisco de Xavier e do que fizeram na Índia os mais religiosos da Companhia de Jesus

João de Lucena documentou-se nas obras do jesuíta italiano Horácio Turcelino - De Vita B. Francisci Xavierii - e de Fernão Mendes Pinto - Peregrinação - para a redação da sua História. Não dispensou, todavia, a rica documentação da Companhia de Jesus, que aproveitou também sob o fito de obter o maior número de dados possível sobre a vida do Padre Francisco de Xavier.
O assunto da obra facilitou a sua difusão, o que levou a que esta fosse traduzida em diversas línguas nomeadamente latim, italiano, espanhol e até mesmo húngaro. Em francês foi resumida e parafraseada. Pressentimos, nesta obra, um certo patriotismo por parte do autor, que comungou com a ordem religiosa em que professara a antipatia à dinastia espanhola, não referindo, por conseguinte, em nenhuma ocasião, o rei que dominava o país (então Filipe III, de Espanha).O autor foi muitas vezes colocado entre os mestres da língua, a par de autoridades como Filinto Elísio e Fr. Luís de Sousa, sendo de destacar o casticismo da linguagem presente nesta obra. Aproxima-se notoriamente deste último autor pelo equilíbrio, ductilidade e elegância. Porém, a estrutura da sua frase assemelha-se mais a Barros, que tanto a embaraça de acidentes. Esta obra, de carácter hagiográfico, a cada passo acidentada de sucessos sobrenaturais, como os aceitava a credulidade infantil da época, não deixa de ser suscitada por uma atividade expansionista que motivava atenção e curiosidade. Lucena sentiu-se, pois, na obrigação de satisfazer a Europa, ávida de novidades, descrevendo um mundo de aspetos imprevistos, a natureza oriental, não descurando, no entanto, a moral e a física a enquadrar e dramatizar a ação do apóstolo.
Como referenciar: História da Vida do Padre Francisco de Xavier e do que fizeram na Índia os mais religiosos da Companhia de Jesus in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-29 20:37:55]. Disponível na Internet: