História geológica da Terra

Esta história é longa, complexa e a sua evolução resultou numa série de fenómenos e mudanças significativas que afetaram a vida e outras histórias que se desenrolaram à sua superfície.
Só quando o Sol se estabilizou, há 4600 milhões de anos, é que a Terra pôde iniciar a sua carreira de evoluções contínuas, quer ao nível do solo, da atmosfera e das diferentes formas de vida. As partículas de poeira da nuvem de gás que rodeava o Sol chocaram entre si e amalgamaram-se, dando origem ao planeta, pois anteriormente era apenas uma conjunto de rochas incandescentes. Nesta altura o Sol ainda era muito jovem para poder produzir grandes quantidades de calor e, por isso, a atmosfera era fria e completamente hostil.
Entre os 4600 e os 4200 milhões de anos o interior da Terra compactava-se através de processos de fusão. Por ação da gravidade, os materiais mais pesados, como o ferro, ficaram no centro, e os mais leves, como os silicatos, formaram um primitivo manto de rocha parcialmente fundida. Só quando se verificou a expulsão de gases do interior do planeta é que a crosta terrestre pôde, enfim, arrefecer. Estes gases, sobretudo vapor de água, anidrido sulfuroso e dióxido de carbono, lava e cinzas eram libertados pelos vulcões através de uma intensa atividade. Formava-se assim a primeira crosta continental (entre 4200 e 3800 milhões de anos), que se movia sobre o manto mais denso que existia por baixo. Entre 3800 e 2500 milhões de anos atrás, o dióxido de carbono existente acabava por se dispersar na atmosfera ou na água, e, ao contrário de Vénus, cujo forte efeito de estufa não permitiu a vida, na Terra esse efeito foi muitíssimo fraco e foi compensado com a formação de nuvens. A temperatura pôde estabilizar-se à volta dos 15 ºC. A chuva acabou por surgir em pesadas tempestades e formaram-se os primeiros oceanos, extensas massas de água. A crosta tornou-se mais impermeável ao impacte dos meteoritos e ocorreram as primeiras sedimentações com os materiais arrastados pelos primeiros rios (areias e argilas). A ação das chuvas permitiria a preparação para a grande aventura da vida na Terra, pois já se detetava a presença de organismos, as algas designadas por cianófitas, que tinham a capacidade de captar a luz do sol e realizar a fotossíntese. É através da sua ação que o anidrido carbónico foi transformado em carbono e oxigénio.
Entre 2500 e 600 milhões de anos a superfície da Terra já completamente formada assemelhava-se à crosta continental atual e foi neste momento que se iniciou a deriva dos continentes. Há cerca de 1900 milhões de anos o oxigénio expelido pelos primeiros organismos acabaria por acumular-se na atmosfera (a prova deste fenómeno é a oxidação de rochas à superfície - formações vermelhas) e parte dele transformar-se-ia em ozono, funcionando como barreira de proteção da radiação ultravioleta do Sol. Começaram a aparecer formas de vida cada vez mais complexas.
No que diz respeito à formação dos continentes, foram avançadas algumas teorias e duas das mais importantes são a teoria da tectónica de placas e a teoria da deriva dos continentes. A teoria da tectónica de placas surgiu em 1660, com a observação de Francis Bacon quando comparou o litoral dos dois lados do Oceano Atlântico, que, pela sua semelhança no recorte, se poderiam sobrepor, o que contribuiu para a explicação da deriva dos Continentes no início do século XX pelo alemão Alfred Weneger. Para além da semelhança dos recortes costeiros, este cientista verificou ainda a semelhança na história geológica através da observação de estruturas e de fósseis. Estudos desenvolvidos a partir dos anos 50 do século XX vieram dar novo impulso à teoria da deriva dos continentes através de pesquisas efetuadas no fundo do oceano. A observação do magnetismo no fundo dos oceanos desvendou zonas de polaridade diferentes e que se apresentavam simetricamente distribuídas em ambos os lados da dorsal oceânica (cadeia de montanhas que atravessa o Oceano Atlântico, continuando pela Antártica até ao Oceano Índico, passando pelo Mar Vermelho e desembocando no Oceano Pacífico quase até ao Alasca). Depreende-se deste dado que os continentes tiveram uma vida conjunta ligados pela dorsal oceânica e que posteriormente se separaram. Esta dorsal constitui uma zona de expansão, ao contrário do que acontece com as zonas de "subsecção" que são locais de destruição com a litosfera oceânica a ser engolida para o interior da Terra formando enrugamentos e pregas que dão lugar à existência de fossas oceânicas e de ilhas vulcânicas.
Há 600 milhões de anos estavam unidas num único continente, chamado Gondwana, as futuras América do Sul, África, Europa Meridional, Antártica, Austrália e Índia (a Inglaterra, a Escandinávia, a Síria e partes da Austrália e América Norte estavam cobertas de água). A Ásia estava desligada, tal como a Europa do Norte e a América do Norte. Ao longo de milhões de anos os continentes continuaram a sua viagem de deslizamento e colisões até se juntarem há volta de por 300 milhões anos na nova forma que se designou por Pangeia. A formação de algumas cordilheiras de montanhas mais importantes resultam das diversas colisões que ocorreram nesta altura. É o caso da cordilheira montanhosa que se formou do choque da América com a Europa (desde a Gronelândia através da Terra Nova até aos Apalaches) e o caso do aparecimento dos Montes Urais, resultantes da colisão da Europa com a Ásia. Todos os continentes passaram a estar ligados entre si e já se verificava uma extensa área coberta de vegetação.
A separação dos diversos continentes ocorreria a partir de há 130 milhões de anos. A América do Norte derivou para oeste, a América do Sul separava-se da África Ocidental, a Europa separou-se da África e a Índia chocava violentamente contra a Ásia há cerca de 40 milhões de anos, formando os Himalaias. Surgiam os principais oceanos, fruto das aberturas deixadas pelo afastamento das placas da antiga Pangeia, e formou-se o Mar Mediterrâneo.
A deriva dos continentes fica assim a dever-se à formação e à destruição da litosfera oceânica, conservando vestígios de movimentos de placas.
Tendo em conta a importância das teorias expostas, torna-se fundamental conhecer o comportamento das diferentes rochas nas fases da sua formação porque são elas que contêm a informação necessária para se poder estabelecer uma cronologia e se conhecer a história do planeta. Existem três grandes grupos de rochas: as sedimentares, as magmáticas (variam desde os granitos aos basaltos) e as metamórficas (o mármore é calcário metamorfizado e a ardósia resulta da argila fortemente comprimida). É através da análise das rochas sedimentares que obtemos informações relativas ao clima e sobre as diferentes formas de vida que existiram no momento da sedimentação, através do achado de fósseis. As rochas magmáticas mostram-nos a atividade da crosta e informam-nos da deriva dos continentes. As rochas metamórficas indicam-nos a elevação de rochas que em períodos anteriores estiveram soterradas. O método mais eficaz para se estabelecer a cronologia da Terra é a análise da radioatividade das rochas magmáticas e metamórficas.
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