Hong Kong

Região Administrativa Especial chinesa, situada na costa sul da província de Kwangtung. Engloba as ilhas de Hong-Kong, de Stonecutters, a península de Kowloon e os Novos Territórios (conjunto de outras pequenas ilhas). Abrange uma área total de 1092 km2 e possui uma população de 7 191 503 habitantes (2017). A cidade mais importante é Vitória.

Durante a Guerra do Ópio (1840-1842), Hong-Kong foi ocupado pelo Reino Unido e em 1898 a China entregou o território a esse país por um prazo de 99 anos. A partir desta data, a nova colónia britânica passou a ser um importante centro de comércio.
No processo que levou ao estabelecimento da República Popular da China, em 1912, Hong-Kong serviu de refúgio político para muitos dos opositores ao novo regime. Após 1912 o nacionalismo chinês afirmou-se hostil relativamente a potências externas. Entre 1925 e 1927 este regime proibiu o acesso de barcos ingleses aos portos do Sul da China, facto que comprometeu seriamente o comércio de Hong-Kong.

A guerra sino-japonesa da década de 30 levou a China a procurar apoio contra o Japão junto de países europeus como a Inglaterra, o que facilitou as até então difíceis condições de relacionamento entre ambos os países. A Segunda Guerra Mundial, que rebentara em setembro de 1939, veio dificultar ainda mais a vida económica da ilha, mas em 1945, na sequência da rendição incondicional do Japão, os Britânicos reocuparam o território e retomaram a pujança de grande centro comercial da Ásia. Assistiu-se a uma forte industrialização baseada nos têxteis. Hong-Kong tornou-se o maior porto de mercadorias mundial e o seu produto interno bruto per capita é dos mais elevados do Mundo. O território é uma potência comercial e um importantíssimo centro financeiro.

Durante a guerra da Coreia, em 1950, os Estados Unidos boicotaram o comércio com a China comunista, uma medida que afetou consideravelmente a atividade comercial de Hong-Kong. Para fazer face a este embargo, a ilha promoveu o desenvolvimento da sua indústria, nos anos 50 e 60, tarefa facilitada pela afluência de refugiados que proporcionavam excelente mão de obra barata e dinheiro. Neste período, a política liberal de Hong-Kong atraiu muitos investidores estrangeiros, resultando num boom económico que fez da ilha uma das regiões mais ricas e mais produtivas da Ásia.

O crescimento económico causou no entanto algum descontentamento entre os trabalhadores, uma vez que estes auferiam salários muito baixos. Este mal-estar desencadeou motins no verão de 1967, promovidos por simpatizantes da revolução cultural chinesa. Para combater esta situação o Governo lançou uma legislação laboral, aumentou as habitações públicas e investiu mais em obras públicas, restaurando assim a estabilidade nos anos 70.

Durante esta década continuaram a afluir os emigrantes oriundos principalmente da China; as relações entre as duas nações eram mais amistosas. Nos anos seguintes vieram inclusivamente a verificar-se operações conjuntas entre a China e Hong-Kong.

Em 1982, a China e o Reino Unido iniciaram conversações para a devolução da soberania sobre Hong-Kong à primeira. Um acordo assinado em 1984, em Pequim (Beijing), determinou que a China tomaria conta do território a partir de 1 de julho de 1997. Em conformidade, o regresso de Hong-Kong à soberania chinesa após 156 anos de administração colonial britânica deu-se às 00:00 daquele dia.

Hong-Kong disfruta do estatuto de Região Administrativa Especial, de acordo com a fórmula "um país, dois sistemas", também aplicada a Macau a partir de 20 de dezembro de 1999. Deste modo, o território continua a ser um porto livre e um centro financeiro internacional, e, exceto nas áreas da defesa e da política externa, tem um alto grau de autonomia. Não paga impostos ao Governo central e o seu modo de vida, incluindo a liberdade de imprensa, não foi alterado.

O futuro de Macau, de Taiwan, das economias dos países vizinhos do Sudeste Asiático e até da própria China, todos interdependentes entre si, depende do sucesso ou fracasso desta experiência política, social e administrativa.
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