Hora de Todos

O diálogo entre um mendigo (na verdade, um senhor empobrecido) e um senhor que lhe dera a esmola de uma refeição, redunda em considerações sobre a incapacidade de o homem ser intrinsecamente bom, reduzindo os seus atos a uma bondade hipócrita, que nada tem a ver com a mensagem evangélica que consiste em "amar a pobreza, ver em todos os homens outros homens iguais a nós, embora com sorte diferente". Espécie de continuação dramatizada, mas mais esquematicamente moralizadora, de O Pobre de Pedir de Raul Brandão, apresenta-nos um homem que, arrependido da sua condição burguesa, depois de ter perdido a mulher e a filha, os bens, vai pedir esmola ao homem que causou a sua perdição, e, depois de revelar a sua identidade, augura-lhe uma sorte similar. A notícia de que a eira e as máquinas estão a arder vem trazer ao angustiado patrão a confirmação deste vaticínio: "No relógio da vida, começa a soar para ti a hora de todos. Oxalá tu a saibas compreender!".
Como referenciar: Hora de Todos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-13 11:07:39]. Disponível na Internet: