Hotel Central

Situado na Praça do Duque da Terceira (antigo Largo dos Remolares, em homenagem aos fabricantes de remos), junto ao Cais do Sodré, entre a Avenida Ribeira das Naus e a Rua do Arsenal, no início da Rua do Alecrim, do lado nascente, situava-se o Hotel Central, onde atualmente existe um banco.
Este hotel, frequentado por figuras ilustres e pelo próprio Eça de Queirós, é um dos cenários privilegiados dos romances queirosianos. Aí se hospeda o primo Basílio, da obra do mesmo nome. E, em Os Maias, o jantar no Hotel Central, preparado por Ega para homenagear o banqueiro Cohen, de cuja esposa é amante, proporciona a Carlos o contacto com a sociedade de elite e permite abordar a crítica literária e a literatura, a situação financeira do país e a mentalidade limitada e retrógrada. É neste hotel que Carlos, antes do jantar, tem a primeira visão da figura de Maria Eduarda, aí hospedada:
"Entravam então no peristilo do Hotel Central - e nesse momento um coupé da Companhia, chegando a largo trote do lado da Rua do Arsenal, veio estacar à porta. […]Craft e Carlos afastaram se, ela passou diante deles, com um passo soberano de deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar." (cap. VI).
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