Ibn Khaldun

Historiador islâmico, natural de Tunes (Tunísia), nascido em 1332 e falecido em 1395. O seu grande contributo reverteu para as leis da filosofia, da história e de uma "proto-sociologia".
De verdadeiro nome Abd al-Rahman Ibn Mohammad, Ibn Khaldun (como era conhecido) era descendente de Árabes Iemenitas estabelecidos em Espanha e entretanto emigrados para a Tunísia, onde nasceu. Iniciou o seu processo de educação nesta cidade, onde esteve também ao serviço do sultão egípcio Barquq. Posteriormente emigrou para Fez, onde se envolveu em algumas lutas de carácter político que resultaram na necessidade de se refugiar na Argélia durante cerca de três anos. Finalmente, os últimos anos da sua vida foram passados no Egito. Em termos profissionais, desempenhou os cargos de juiz e professor, este último na Universidade de Al-Azhar. A sua vida pessoal e profissional caracterizou-se por um elevado grau de turbulência, na sequência da sua própria personalidade.
Foi principalmente durante a sua estadia na Argélia que Ibn Khaldun escreveu a sua obra emblemática, Muqaddimah (Introdução à História), onde tratou assuntos de várias naturezas, designadamente filosóficos, económicos, sociológicos, etc. O objetivo fundamental desta obra foi a identificação dos fatores psicológicos, económicos, sociais, etc. que estão na base da evolução histórica da civilização humana. Apesar de conhecido como historiador, filósofo e adepto do positivismo (que pressupõe a existência de leis imutáveis e universais como justificação dos fenómenos sociais e económicos), os seus contributos abrangeram de facto outras áreas, como sejam a Sociologia e a Economia. Aliás, no que concerne à área de Economia, é de destacar que a Muqaddimah aborda temas como os impostos, as alfândegas, a agricultura, o comércio, os preços, a concentração, etc.
Para Khaldun, a sociedade é um fenómeno natural que resulta de dois aspetos fundamentais, a economia e a segurança. Paralelamente, preconizou a divisão da sociedade em grupos (artífices, agricultores e nómadas). As cidades, constituídas pelos artífices, eram particularmente mal vistas por Khaldun, que as considerava como fonte de incentivo à perda de virtudes e respeito. Também o crédito era considerado como fonte de perturbações sociais. Paralelamente, defendeu a limitação da iniciativa privada. A visão segundo a qual as características de uma sociedade derivam das condições materiais dos seus elementos tem claros pontos de contacto com o materialismo histórico que, por exemplo, está na base do pensamento de Karl Marx.
Khaldun privilegiou a análise das relações entre os grupos que constituem a sociedade e preconizou a existência de ciclos renováveis ao nível da civilização e do poder político resultantes dessas mesmas relações. Pelos seus contributos na análise da sociedade, Khaldun é considerado um precursor da Sociologia.
A sua obra apresentou uma visão sociológica da História que veio revolucionar a conceção historiográfica muçulmana. Todos os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.
Como referenciar: Ibn Khaldun in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-13 20:39:19]. Disponível na Internet: