Idade Média: Ascensão da Banca

Alguns autores consideraram durante muito tempo que os judeus foram os ''inventores'' do crédito e da banca, o que não é correto, porque apesar da usura ser proibida pela religião cristã no início da Idade Média, esta proibição não impediu muitos cristãos e até alguns religiosos de contornarem esse obstáculo canónico. Deste modo, os judeus não detinham a exclusividade deste negócio e não foram seguramente os únicos impulsionadores do desenvolvimento técnico neste campo.
Os grandes responsáveis pelo desenvolvimento do comércio e da banca foram os comerciantes ditos "burgueses", dos Países Baixos e da Itália, os dois polos mais dinâmicos das operações de crédito.
Os credores que usavam este tipo de serviços eram os religiosos, os monarcas europeus, alguns membros da aristocracia, as cidades e os burgueses interessados em aumentar o capital envolvido nos seus negócios. Mas a usura foi menos importante do que o crédito comercial, primeiramente conhecido através do câmbio manual. Os cambistas ocupavam-se destas operações nos mercados urbanos. Nas principais cidades italianas, estes cambistas também faziam transferências e depósitos, operações mais complicadas e que envolviam um câmbio mais hábil. Antes do século XIII, os genoveses usavam já um sistema de compensações pelo qual os banqueiros faziam os pagamentos por transferência, mesmo no caso do credor e do devedor não terem entregue o dinheiro ao banqueiro. Isto equivale a dizer que a banca de depósito e de transferência, e também a banca de negócios, surgiram ambas em Génova no século XII. Contudo, estes banqueiros genoveses não investiram muito no grande comércio, mantendo os seus negócios a nível local. Só no século XIII se efetuaram estas operações fora desta região.
Foi nas feiras de Champanhe (a "meio caminho" entre a Itália e os Países Baixos) que, efetivamente, se progrediu para outro tipo de câmbio, o câmbio não manual, num momento em que surgia uma nítida distinção entre a compra e a venda. Um comerciante italiano que fosse vender os produtos em feiras no exterior tinha previamente contraído dívidas na sua moeda local, para comprar as mercadorias que iria transacionar. Por sua vez, seria pago na moeda do local onde se efetuara a venda desses mesmos produtos. Tornava-se assim necessária a utilização do contrato de câmbio que foi mantido até ao século XIV.
No século XIII havia também, nomeadamente em Génova, o recurso a contratos de câmbio fictícios, uma prática difundida depois entre o resto de Itália, que veio a substituír o contrato notarial pela carta missiva.
Desde 1250, o dinheiro envolvido nestes câmbios era, essencialmente, proveniente de depósitos de particulares nas companhias. Em meados do século seguinte estes depósitos vão mesmo ultrapassar as participações.
As sociedades terrestres, que desde o início têm à sua disposição capitais, vão poder ter funções bancárias, pois têm a confiança dos particulares que nelas depositam os seus fundos.
A partir desta altura, o comércio de dinheiro alcança lugar de primeira grandeza entre as atividades dos centros mercantis: troca de moeda estrangeira, empréstimos a juros contornando as limitações impostas pela Igreja, entre outros.
Os cambistas, instalados amiúde em bancos na praça pública (daí o nome futuro de banco) e os grandes mercadores, tornam-se, muito rapidamente, em banqueiros que aceitam depósitos, abrem livros de contabilidade e efetuam, com uma simples ordem verbal, transferências de contas para os seus clientes.
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