Igreja da Graça (Santarém)

João Afonso Teles de Meneses, conde de Ourém, foi o fundador do mosteiro onde se integrava esta igreja. Por influência de sua mulher, mandou construir este templo em 1380, vindo a falecer poucos anos mais tarde. O templo só veio a ser construído durante a primeira metade do século XV. Este mosteiro foi destinado aos eremitas de Sto. Agostinho, vindo a ter mais tarde o nome de N. S. da Graça. Como esta casa religiosa foi a principal da ordem em Portugal, era usual chamar gracianos aos eremitas de Sto. Agostinho. Tal como os outros mosteiros, também este conheceu o seu fim com o decreto de 1834 que extinguia as Ordens religiosas no nosso país.
Apesar de secularizada e dos restauros que sofreu cerca de 1950, conserva-se ainda esta obra como um bom exemplo do gótico nacional e da arquitetura típica das Ordens Mendicantes. Embora não sendo possível afirmar quem foi o arquiteto responsável pelo traço, alguns autores constatam afinidades entre os mestres de Santarém e os do estaleiro do Mosteiro da Batalha.
A Igreja de N. S. da Graça compõe-se de três naves, cinco tramos, largo transepto e cabeceira tripartida, com capelas de planta poligonal cobertas por abóbadas de nervuras. As naves e transepto apresentam cobertura de madeira e o seu interior é iluminado através da grande rosácea da fachada, pelas altas janelas ogivais das naves (a sua divisão em lumes resultou da intervenção de meados do século XX) e janelão do transepto. Sustentam a cobertura pilares cruciformes com colunas adossadas e capitéis de decoração naturalista e de figuração humana. Na fachada, sob a rosácea radiante, rasga-se o portal em arco conopial cogulhado, composto por quatro arquivoltas acaireladas arrancando de finos colunelos capitelizados; o alfiz é marcado por linhas verticais entrelaçadas, ressaltado por friso fitomórfico.
Se a fachada, pelas suas proporções, dá a sensação de pouca altura, o mesmo não acontece no interior, que nos surpreende por ser tão elevado, dando a sensação de ser um edifício de dimensões muito maiores.
Esta igreja possui ainda os túmulos do filho do fundador - Pedro de Meneses, conde de Viana e primeiro governador de Ceuta - e de sua mulher, D. Beatriz Coutinho, apresentando semelhanças com o mausoléu batalhino de D. João I e D. Filipa de Lencastre. A arca tumular assenta em oito leões e mostra delicada ornamentação de estilizados ramos de zambujeiro; a sobrepujá-lo estão as estátuas jacentes de mãos dadas. Encontramos ainda neste panteão o túmulo de Afonso de Vasconcelos e de sua mulher, D. Isabel da Silva, em arcossólio conopial acairelado. Noutro arcossólio renascentista repousam Pero Rodrigues Portocarreiro e seu genro, Gonçalo Gil Barbosa. Sob o pavimento do absidíolo sul jazem, em campa rasa, Pedro Álvares Cabral e sua mulher, D. Isabel de Castro - quarta neta do fundador deste templo escalabitano.
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