Igreja de Bravães

A Igreja de Bravães é um templo românico de um antigo mosteiro minhoto já desaparecido, fundado por D. Vasco Nunes de Bravães, situado junto ao rio Lima na estrada para Ponte da Barca. A construção da igreja deve ter sido, possivelmente, realizada nos inícios do século XIII, embora possua características do século anterior.
O desaparecido cenóbio de Bravães foi primeiramente ocupado por monges beneditinos e depois pelos cónegos regrantes de Santo Agostinho. Mais tarde foi entregue aos Templários. Com a extinção da ordem, a comenda passou para a Ordem de Cristo e, em 1420, o arcebispo de Braga torna o mosteiro numa reitoria paroquial. A fachada da igreja do século XII é apenas ornada pelo portal, inscrito numa estrutura quadrangular ressaltada. Compõem o portal cinco arquivoltas de arco pleno, sustentadas por quatro pares de colunelos, alternados com pilastras. A profusa decoração deste trecho arquitetónico é magnífica, quer pela sua riqueza iconográfica, quer ainda pelo nível escultórico. Esta desenvolve-se em animados motivos animalescos, antropomórficos, vegetalistas, cordiformes e geométricos. Em cada um dos lados do portal há uma coluna decorada com um figura. Estas representações já foram interpretadas como sendo o Anjo Gabriel e Nossa Senhora, representadas na cena da Anunciação. Contrastando com esta decoração alusiva às angustias maniqueístas do homem medieval, surge no tímpano a serena representação de Cristo em Majestade, inscrito na amêndoa mística, flanqueada por anjos.
Nos panos laterais sobressaem as cornijas, suportadas por mísulas e ornadas por motivos geométricos, denticulados e quatro frestas. A sobriedade do interior não é afetada pela decoração geométrica dos capitéis dos colunelos que flanqueiam a fenestração, pelos frisos horizontais, dispostos a meia altura na nave e capela-mor, nem pela decoração do arco triunfal, particularmente a dos capitéis.
As impostas encimam duas pinturas a fresco, possivelmente do século XIV. Numa representa-se o Martírio de S. Sebastião e na outra a Virgem com o menino. Possuía ainda esta igreja um outro fresco da mesma época, que entaipava a fresta da ousia, onde se representa o Salvador do Mundo, Orago do templo e telas quinhentistas. Estas obras encontram-se hoje guardadas no Museu Nacional de Arte Antiga.
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