Igreja de S. Bento

Situada em Bragança, a Igreja de S. Bento pertenceu ao antigo mosteiro beneditino mandado fundar no século XVI por D. Maria Teixeira. A sua construção viria a ser concluída na última década de Quinhentos, sofrendo a igreja posteriores intervenções no século XVIII
No exterior, conserva as serenas linhas originais, apesar do acrescento de um portal barroco e de uma pedra de armas. Os panos da fachada são animados por janelas e fenestrações, onde se sente a preocupação com a simetria. O portal é formado por duas pilastras e entablamento jónico, rematado por um frontão curvilíneo em volutas, albergando um nicho com a imagem de Santa Escolástica, padroeira das monjas beneditinas.
Em contraste com a fachada, o interior do templo é de grande exuberância decorativa. Ao entrar na nave podemos apreciar na cobertura uma pintura barroca de grande riqueza plástica, carregada de mensagens simbólicas, atribuída a Damião Rodrigues. O tema versa o templo sagrado onde, em glória, habitam os bens-aventurados. O pintor socorre-se do artifício, então em voga, de criar espaços fictícios, graças a perspetivas arquitetónicas, construídas em céu aberto, com o ponto de fuga convergindo para o centro. Neste teto, a cena central representa-se a Santíssima Trindade, ladeada por S. Bento e Santa Escolástica subindo ao céu, levados por anjos que transportam os seus símbolos. A juntar a esta grandiosa cobertura aparece-nos o esplendor barroco das talhas douradas de dois retábulos laterais, do arco triunfal e do magnífico altar da capela-mor. As estruturas retábulares seguem o denominado Estilo Nacional, apesar dos arcos serem ligeiramente trilobados, ostentando uma faustosa decoração fitomórfica. As pilastras albergam duas imagens escultóricas.
A ousia possui um dos escassos exemplares de tetos hispano-árabes conservados da época manuelina. Este é uma obra de carpintaria policromada, onde os ornatos se formam a partir de uma série de linhas geométricas entrecruzadas, compondo diversas laçarias angulares.
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