Igreja de S. Martinho de Cedofeita

No centro do Porto, em plena freguesia de Cedofeita, ergue-se um pequeno e notável templo românico consagrado a S. Martinho. O atual edifício religioso foi construído no início do século XII, pois já em 1120 se tem conhecimento da existência desta igreja românica. No entanto, a pedra do tímpano do portal principal, cópia gravada em 1767, informa-nos da fundação do primitivo mosteiro, atribuindo-a ao século VI e ao patrocínio do rei suevo Teodomiro, tendo sido a Igreja consagrada em 559 pelo arcebispo de Braga.
S. Martinho de Cedofeita é um igreja românica, provavelmente contemporânea das igrejas de Rio Mau, de Vila do Conde e de S. Miguel de Poiares, em Guimarães. Contudo, apesar de se integrar no grupo das pequenas igrejas do Românico Condal nortenho, ela possui uma importância acrescida que lhe advém do facto de ser a única que se apresenta totalmente coberta por uma abóbada em pedra.
O seu traçado apresenta uma planta retangular de nave única, coberta com abóbada de berço e capela-mor, esta última encimada por abóbada semi-cilíndrica e de menor altura. Os capitéis das colunas do interior - mutilados - têm decoração de aves, animais fantásticos e motivos de cariz vegetalista, decoração que se repete nos capitéis do portal principal e nos laterais, formados por vários pares de colunas e pelas respetivas arquivoltas. Destaca-se a porta da fachada norte, com o tímpano preenchido por um baixo-relevo representando um Agnus Dei (Cordeiro do Senhor) sob a cruz e envolto por cercadura lobulada. A escultura zoomórfica e fitomórfica desta singela igreja tem sido comparada à escultura decorativa presente em igrejas como a de Paço de Sousa ou no românico de Coimbra - nomeadamente da Sé Velha e de São Tiago, ambas edificadas posteriormente. Destaca-se ainda na fachada principal um campanário de dois sinos, bem como duas cruzes, de diferentes desenhos, rematando as empenas da nave e da cabeceira.
O priorado de Cedofeita atingiria grande relevo e possuiria grandes rendimentos, para além da sua importância histórica, conferida pela presença de destacados priores - como são o caso do próprio S. Martinho de Dume, do cardeal de Alpedrinha D. Jorge da Costa ou ainda do Cardeal D. Henrique, tio de D. Sebastião, posteriormente rei de Portugal.
Templo sóbrio, robusto e proporcionado, S. Martinho de Cedofeita constitui-se como um local sagrado e tranquilo, indiferente ao bulício frenético do quotidiano urbano do Porto.
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