Igreja de St. Denis, Paris

A igreja abacial de S. Denis, edificada no século VII nas proximidades de Paris, é um dos principais templos da França. É o mausoléu dos seus reis, cujos túmulos repousam na charola e no transepto da igreja e é o berço do estilo Gótico, criado pelo abade Suger, na reforma deste espaço, ocorrida no século XII.
As obras começaram na fachada, onde o monge artista introduziu duas torres sineiras a Poente e uma charola a Nascente. No portal impôs uma imagem de soberania militar, aligeirada pelas aberturas nas ameias (arcaturas). A luz do Poente entra no edifício por três portais, sob os quais se encontra uma rosácea, pela primeira vez aberta no lado Ocidental, iluminando as capelas da Virgem, de S. Miguel e dos Anjos.
O corpo longitudinal, que ligaria as duas partes, foi construído mais tarde (século XIII), na altura em que a parte alta da charola foi também reformada no estilo clássico. Da charola primitiva mantiveram-se as colunas, o deambulatório, os absidíolos e parte da cripta. Os portais eram enquadrados por ombreiras pronunciadas, ornadas com colunas e figuras de reis, sibilas e profetas.
Aqui nasceu a escultura gótica, mas, infelizmente, as estátuas e a decoração interior foram destruídas durante a Revolução Francesa. Alguns dos ornatos sobreviventes estão guardados no Museu do Louvre. Nas obras de restauro do século XIX, foi recuperada parte da fachada Oeste.
O abade Suger (1140 e 1144) substituiu o antigo coro por uma construção mais ampla e luminosa, onde a cabeceira passou a ser o centro do culto. O corpo foi aumentado pela edificação das ábsides e foi construído um deambulatório duplo com absidíolos. Para cobrir os espaços, Suger empregou abóbadas de cruzaria de ogivas, com nervuras, nos pilares de sustentação usou colunas fasciculadas e não dispensou o sistema de arcobotantes e de botaréus. Todo o edifício se tornou, simultanemente, mais simples e mais leve.
As inovações técnicas produziram um espaço uno e homogéneo, contraposto pela "fragmentação" do exterior onde introduziu janelões e rosáceas que inundaram de luz o interior do edifício, através dos vitrais, que criam uma luz nova e transmitem a mensagem bíblica, aos crentes, na altura, na sua maioria analfabetos.
A igreja é da invocação de S. Denis, o Aeropagita, identificado com o discípulo de S. Paulo que, segundo a tradição cristã foi o autor da Theologia mystica, uma obra onde Deus é concebido como Luz e se celebra a unidade do Universo. Suger seguiu os ensinamentos de S. Denis, no seu pensamento e na sua arte. Nesta igreja estão presentes a "poética da luz" (Georges Duby) e uma inovadora unidade espacial. As imagens (do pórtico, dos vitrais, da cruz e do tesouro) são símbolo da sua teologia, a teologia da Encarnação, própria de uma nova arte que celebra o Filho do Homem, do Homem iluminado.
Como referenciar: Igreja de St. Denis, Paris in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2021. [consult. 2021-01-27 20:54:04]. Disponível na Internet: