Igreja do Colégio

No amplo Rossio da cidade de Portimão impõe-se a imensa mole do Colégio e Igreja dos Jesuítas. Esta obra teve início em 1660 e recebeu um apoio decisivo de uma figura local, D. Diogo Gonçalves, fidalgo que deixou em testamento toda a sua fortuna à Companhia de Jesus. Como homenagem a tão generosa oferta, os jesuítas mandaram erguer o mausoléu deste mecenas, conservando-se os seus restos mortais na capela-mor da Igreja do Colégio. A consagração do templo só aconteceu no ano de1707. As obras do estaleiro foram acompanhadas pelo Padre Bartolomeu Duarte até 1701, ano em que faleceu, tendo também participado o arquiteto João Nunes Tinoco.
No Colégio de Portimão, os jesuítas puseram a funcionar alguns cursos de teologia e letras, mas sem grande êxito. Com o terramoto de 1755, parte substancial das abóbadas e da fachada do monumento ficaram destruídas.
O ano de 1759 seria, igualmente, fatídico para os jesuítas, já que o Marquês de Pombal decretaria a expulsão da Companhia de Jesus do território português. A propriedade do colégio portimonense passou para a posse da Coroa. Mas, em 1774, a casa real fez a doação dos seus bens à Universidade de Coimbra. No entanto, alguns anos mais tarde, D. Maria I efetua nova doação, desta vez perpétua, da Igreja e Colégio de Portimão aos Clérigos regulares Ministros dos Enfermos da Ordem de S. Camilo de Lélis, para que essa ordem religiosa pudesse condignamente socorrer os enfermos e moribundos. 1834 regista outra calamidade com a extinção das ordens religiosas e a nacionalização de parte dos bens conventuais. O colégio portimonense não escaparia a este destino, de nada valendo a anterior doação de D. Maria I. A partir de 1853, instalaram-se no espaço colegial a Câmara Municipal, a Misericórdia e a Ordem Terceira de S. Francisco.
Austera e volumosa, a fachada do Colégio de Portimão tem ao centro o corpo da Igreja jesuítica, ladeada pelos dois corpos colegiais, ligeiramente recuados. O piso térreo possui três portais, o axial de maiores proporções e com frontão de volutas interrompido por brasão. O segundo piso é rasgado por varandas gradeadas, enquanto o terceiro, mais estreito e de configuração trapezoidal, também apresenta idênticas varandas. A parte da igreja é terminada por um quarto piso, rematado por sinuoso frontão recortado. No corpo lateral direito foi inserido um elegante portal manuelino, de traçado polilobado e decorado nas ombreiras por florões.
Simétrico e espaçoso, o interior do templo é constituído por corpo em forma de cruz latina e de uma só nave coberta por abóbada de berço. Circundando superiormente a igreja abrem-se tribunas com balaustradas de nogueira. Simples e sem decoração relevante são as seis capelas que se integram nas paredes da nave. Destas, o destaque vai para a Capela do Calvário, onde são visíveis uma imagem de roca de N. Sra. das Dores e o Crucificado Senhor Jesus dos Milagres, obra seiscentista de madeira.
O olhar converge para a cabeceira tripartida, animando a capela-mor e as colaterais o calor e sumptuosidade barroca dos retábulos em talha dourada. Estas composições retabulares foram realizadas entre 1717 e 1719, obra do mestre entalhador Manuel Martins e que se enquadram ainda no esquema barroco do Estilo Nacional. Nesta riqueza de sinuosa e túrgida decoração de talha dourada barroca, destaca-se o monumental sacrário e trono do retábulo-mor. Na capela-mor são ainda visíveis as imagens de madeira de S. Francisco e de Santo Inácio de Loyola do século XVIII. Na capela colateral do Evangelho está uma escultura de pedra quinhentista da Virgem com o Menino.
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