Igreja do Convento de S. Francisco (Estremoz)

Situado no Rossio da cidade alentejana de Estremoz, o Convento de S. Francisco é um Monumento Nacional de grande esplendor artístico cuja igreja foi elevada a paroquial da freguesia de Santo André.
O cenóbio franciscano teve a sua primeira edificação nos meados do século XIII, provavelmente entre os reinados de D. Sancho II e de D. Afonso III, dentro dos cânones da arte gótica inicial, aproveitando uma pequena ermida da Ordem de S. Bento de Avis - casa religiosa que cedeu este templo à Ordem de S. Francisco. A igreja franciscana é um pouco posterior, possivelmente de entre a segunda metade do século XIII e os inícios do século XIV, filiando-se também na arte do gótico ogival.
D. Manuel I procedeu a uma reforma arquitetónica do templo franciscano e demais dependências conventuais, obras que se prolongaram e acentuaram nos séculos seguintes. De tal modo que o século XVIII transformou radicalmente a fachada da igreja conventual, dando-lhe um perfil próprio do rocaille e apagando todos os traços da anterior volumetria manuelina. 1834 é o ano em que a monarquia constitucional liberal lança o decreto de extinção das ordens religiosas, altura em que os frades franciscanos abandonam o convento de Estremoz. Logo depois, as instalações conventuais seriam ocupadas pelo Regimento de Cavalaria de Estremoz, função que cumpre até ao tempo presente. Assim, foi afetado a área de aquartelamento o elegante claustro manuelino, convertido em praça de armas. A escadaria que dá acesso ao andar superior é forrada por azulejaria, enquanto a casa do capítulo, coberta com uma abóbada manuelina de nervuras e decorada com simbólica heráldica da época, seria transformada em enfermaria de cavalos!
No ano de 1770 iniciaram-se as obras que metamorfosearam a fachada da igreja franciscana e que seriam concluídas em 1775. Esta empreitada foi realizada pelo mestre de obras Francisco Gomes, coadjuvado pelo mestre pedreiro Joaquim Palma.
A grandiosa fachada rocaille é dividida em três corpos ritmados simetricamente por janelões e portais rematados por frontões triangulares, dois deles falsos, e delimitados por pilastras capitelizadas, em mármore branco. O nobre portal central apresenta-se sobrepujado por um frontão mistilíneo. A forte cimalha ressaltada sustenta um poderoso e recortado frontão mistilíneo, com acrotérios nos topos e, ao centro, uma cruz latina. O tímpano é preenchido por vultuoso emblema franciscano, envolto por fino relevado de grinaldas rocaille.
Na parede lateral meridional sobressai o volume da Capela do Senhor dos Passos, esbelta capela manuelina patrocinada pelo arcebispo D. Fradique de Portugal.
O interior apresenta corpo de três naves dividido em cinco tramos e coberto por teto de madeira. Este é sustentado por arcaria ogival assente em largos pilares com adossadas colunas capitelizadas. Num dos tramos da nave central surge o elegante púlpito em mármore branco com balaustrada semicircular e sustentado por um colunelo.
A capela-mor foi reconstruída em 1623 e coberta por uma abóbada de berço esquartelada, com as suas paredes decoradas por revestimento de azulejos policromados, em contraste com o retábulo-mor em talha dourada.
No lado norte da igreja abre-se um arco contendo uma belíssima Árvore de Jessé, pintada e esculpida em madeira, obra datada do século XVII e já do reinado de D. João IV. Este altar é completado por uma série de três nichos contendo esculturas de madeira policromada, alusivas a N. Sra. do Rosário, N. Sra. do Desterro e Santo André.
No lado oposto rasga-se um notável portal do século XVI, que dá acesso à Capela do Senhor dos Passos, espaço de confluência da estética manuelina com a renovada linguagem renascentista, coberta por uma abóbada estrelada de nervuras, ostentando nos fechos os brasões da Casa de Bragança. Janelas manuelinas geminadas, com profusa decoração naturalista, iluminam a capela.
Sob o coro alto, no lado direito da entrada, está colocado o túmulo medieval de Vasco Estevão Gato, em mármore e apresentando no frontal da arca funerária dois brasões armoriados, entre os quais se desenrola uma cena de caça. O jacente do cavaleiro está deitado sobre a tampa do sepulcro e repousa com as suas armas. Este túmulo funerário é uma obra gótica dos princípios do século XIV, provavelmente saída de uma oficina de escultura de Évora.
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