Igreja do Pópulo

Na área da Praça do Conde de Agrolongo, em Braga, situa-se a grandiosa Igreja do Pópulo, edifício religioso erguido por iniciativa do arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus e Castro, com o intuito de servir como última morada a este prelado bracarense.
Com efeito, a primeira pedra foi lançada em 1596 e D. Frei Agostinho seria aí sepultado em 1609, data em que faleceu e em que o templo se achava já concluído. O convento anexo e demais dependências implantaram-se numa vasta cerca em redor. Após a nacionalização dos bens das Ordens religiosas em 1834, o convento foi convertido em quartel militar de uma unidade de Infantaria.
Inicialmente, esta austera e monumental igreja bracarense inspirou-se na Igreja do "Gesù" em Roma, obra jesuítica do último quartel do século XVI. Contudo, a sua fachada encontrava-se em adiantada fase de ruína, pelo que foi desmontada e reedificada nos finais do século XVIII. Este novo projeto enquadrava-se nos cânones da arquitetura neoclássica, embora ainda patenteasse alguns ressaibos do Barroco triunfante nortenho, ficando a dever-se a sua planta ao labor do arquiteto bracarense Carlos Amarante.
A fachada apresenta um portal simples enquadrado por pares de colunas clássicas, sobrepujado por varanda e janelão da grandes dimensões. Remata a fachada poderoso frontão triangular, dispondo-se a cada lado uma torre sineira com cobertura de linhas sinuosas barroquizantes.
De grandes dimensões e extensão, o interior apresenta uma nave alta coberta por abóbada de berço e esquartelada em graníticos caixotões, reforçada por quatro arcos torais, dando a impressão de solidez e sobriedade.
A capela-mor apresenta uma cobertura idêntica, albergando no seu interior o túmulo do arcebispo D. Frei Aleixo de Meneses. Tanto a capela-mor como as laterais comunicantes são revestidas por azulejos historiados setecentistas, em tons de azul e branco; no caso da capela-mor, a temática dos azulejos alude à vida de Santo Agostinho, sendo obra provável de António de Oliveira Bernardes.
A sacristia oitocentista da igreja encerra algumas das obras religiosas de maior valia, embora o seu estado de conservação não seja o mais indicado. Referimo-nos a cinco painéis entalhados de Santo Agostinho e a quatro deterioradas telas de santos apóstolos - S. Pedro, S. Paulo, S. Tiago e S. Judas Tadeu.
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