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Igreja e Convento de S. Paulo

Fundado em 1568 por Frei Francisco Foreiro, o Convento de S. Paulo da cidade de Almada foi um cenóbio que acolheu uma comunidade de religiosos da Ordem de S. Domingos.
A sua volumetria foi sendo alterada ao longo dos séculos, modificando-lhe parte do seu perfil inicial, nomeadamente a sua igreja, resultado de uma reforma barroca. Atualmente, a parte escolar do seminário de Almada funciona em algumas das dependências conventuais.
Simples e austera, a frontaria é marcada por um portal de linhas retas, sobrepujado por frontão em pedra. O seu tímpano ostenta uma cartela, onde se inscreve o símbolo da Ordem de Santiago. Internamente, o templo é de nave única e está coberto por um teto de madeira. As paredes da nave são parcialmente forradas por azulejos figurados do século XVIII, em tonalidades de azul e branco. Do lado da Epístola, contam-se as seguintes cenas hagiográficas: "S. Francisco recomendando a um irmão a crença em S. Tomás", "Visão da Corte Celestial por S. Domingos de Gusmão", "A Virgem mostrando ao beato Reginaldo o hábito da religião" e o "Casamento Místico de Santa Catarina". No lado contrário vê-se, entre outros, "S. Luís Beltrão", "S. Domingos", "S. Jacinto" e o "beato Alano de Rupe". No fundo do templo, pode-se observar "S. Jacinto livrando o Santíssimo Sacramento e uma imagem de alabastro de Maria Santíssima da fúria dos bárbaros" e ainda "A Virgem Maria entregando o Menino Jesus a Santa Inês do Monte Peliciano". A capela-mor apresenta a figuração cerâmica de S. Pedro e de S. Paulo.
Composições em talha dourada barroca do século XVIII inserem-se na ousia e nas capelas colaterais, expondo o retábulo-mor as esculturas policromadas de S. Pedro e de S. Paulo, enquanto os colaterais mostram conjuntos escultóricos sobre o Calvário e a Imaculada Conceição. No lado do Evangelho rasga-se uma capela forrada por azulejos azuis e brancos setecentistas, contendo ainda um retábulo em talha dourada, no qual se insere uma escultura pintada da Virgem com o Menino, possivelmento obra do século XVII.
As paredes da sacristia são totalmente forradas por azulejos padronizados do século XVII, em tons de azul e amarelo. Sob um arco de volta perfeita encaixa-se uma pintura do altar da sacristia, painel do século XVII alusivo ao "Milagre Eucarístico de Stº. António". Na parte inferior sobressai o frontal de altar, de revestimento cerâmico policromado, obra do último quartel do século XVII, denotando o desenho das representações zoomórficas e naturalistas marcadas influências orientais. O arcaz serve de suporte a quatro esculturas de madeira dourada e datadas do século XVIII, alusivas aos quatro Evangelistas.
No átrio que conduz à atual ala conventual adaptada para Seminário, sobressai uma estátua em pedra de S. Brás, obra da primeira metade de Quinhentos, assente em mísula com decoração manuelina de cariz naturalista.
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