Igreja Matriz de Ponta Delgada

Segundo alguns autores, a construção desta igreja ficou a dever-se ao cumprimento de uma promessa feita pelo povo da Ilha de S. Miguel a S. Sebastião, pelo fim de uma epidemia que a tinha assolado entre 1523 e 1531. A edificação veio a efetuar-se em 1533-1545 e, apesar de ter sofrido intervenções nos séculos XVII e XVIII, o edifício conserva ainda os elementos manuelinos.
A obra ficou a cargo de mestre Lúpedo, que, passado pouco tempo, regressou ao Continente e daqui enviou pedra calcária para a realização dos portais e colunas, sucendendo-lhe no cargo Afonso Fernandes. Aos irmãos Estêvão e Brás corresponde o trabalho de alvenaria, enquanto os irmãos Nicolau e André Fernandes compuseram os portais e capitéis das colunas.
Na fachada conserva-se o pórtico original, demarcado por duas elegantes e ornadas pilastras terminadas em agulhas. O lintel de arco abatido assenta em colunelos entrelaçados, formando edícula central ladeada por anjos alados, seguidos de armas reais. Um arco trilobado, com o lóbulo central de forma conopial e derivações radiantes, termina esta composição. No século XVIII juntam-se à fachada, conferindo-lhe um efeito magnífico, elementos barrocos de negro basalto, contrastando fortemente com o branco da pedra calcária. A Matriz micaelense possui ainda mais dois portais manuelinos. O portal sul, em largo arco abatido, é sobrepujado por dois medalhões - possivelmente com os bustos de D. João III e D. Catarina - de quatro molduras concêntricas, unidas por arco conopial e terminadas por pequenas radiais cogulhadas. A porta geminada, separada por coluna torsa capitelizada, é rematada por arcos de volta perfeita acairelados. O portal é delimitado por duas finas pilastras.
O portal norte, em negra pedra vulcânica, apresenta linhas mais sóbrias mas segue o esquema decorativo dos anteriores: porta envolta por três colunelos com um arco trilobado marcando o extradorso e um arco conopial rebaixado no intradorso. Neste portal o remate é, igualmente, realizado por radiais cogulhadas.
A Igreja de S. Sebastião é constituída por três amplas naves, com cobertura de madeira, iluminadas pelas janelas barrocas da fachada. A cabeceira tripartida apresenta as abóbadas originais de cruzaria. Uma capela do transepto da igreja apresenta linhas clássicas e é coberta por hemisférica abóbada com terminação de elegante lanternim.
O retábulo-mor, de talha barroca ao estilo nacional, com colunas torsas e arcos de volta perfeita, possui um trono que sustenta a imagem do padroeiro, S. Sebastião. Igualmente em talha dourada do século XVIII é o revestimento do arco triunfal. Ainda na capela-mor, destaque para o cadeiral de alto espaldar, com excelente trabalho de talha esculpida.
É de realçar na matriz a azulejaria portuguesa e holandesa setecentista, bem como os seus armários em exóticas madeiras brasileiras e açorianas de jacarandá.
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