Igreja Matriz de Ponte de Lima

A Igreja Matriz de Ponte de Lima mantém-se fiel ao traço românico do Norte, apesar de ter sido erguida numa altura em que o gótico conhecia larga expansão. A igreja foi terminada em meados do século XV, e, mais tarde, já no reinado de D. Manuel I, foi concluída a sua torre.
Esta não foi a primeira matriz de Ponte de Lima, antes funcionava numa Ermida da Irmandade do Espírito Santo. Com o desenvolvimento da vila limiana, tornou-se necessário construir uma igreja de maiores dimensões.
A fachada principal apresenta-se dividida em dois corpos por cornija ressaltada. O piso térreo é marcado por um pórtico composto de quatro arquivoltas, algumas contornadas com frisos perlados, assentes em colunelos capitelizados. No corpo superior rasga-se elegante rosácea, de grande vão, com molduras circulares concêntricas e ressaltadas, algumas igualmente ornadas por friso perlado. No vão desenvolve-se trabalho em pedra radiante. À direita do alçado principal, rematado por empena triangular coroada por uma cruz, aparece-nos a torre sineira. Tal como a restante construção da igreja, em pedra aparelhada, a torre abre-se em quatro ventanas de arco pleno, encimadas por relógios e rematadas por ameias de chanfros. Aos acrescentos da torre feita no século XVI, segue-se a introdução de um arco abatido que sustenta o coro, rasgando-se na esquerda da entrada a Capela de Nossa Senhora da Conceição, encomendada por Inês Pinto - com cobertura de magnífica abóbada circular nervada, tendo as chaves profusamente decoradas com ornatos formados por uma série de linhas geométricas entrecruzadas e laçarias. Outras capelas surgem da parte de encomendantes particulares e aumentando a igreja, que, entretanto, se tornou colegiada por despacho de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, arcebispo de Braga.
Com a intervenção dos Monumentos Nacionais em meados do século XX, foram retiradas certas alterações setecentistas, assim se devolvendo ao edificio a sua sóbria beleza. De Setecentos sobrevivem os retábulos em esplendorosa talha dourada de 1729, como o da Capela de Nossa Senhora das Dores. Aqui só não é original o painel central, pintado já no nosso século.
Na capela-mor o altar é recoberto, na face principal, por uma talha policroma alusiva à Última Ceia. O altar-mor reveste-se de um grande número de relíquias de santos portugueses e estrangeiros.
Merecedora de atenção é uma Pietà de impressionante expressividade, obra dos séculos XVI-XVII e colocada na Sacristia, assim como um bonito presépio do século XVII.
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