Igreja Matriz de Rates

Templo do românico condal dos inícios do século XII, a Igreja Matriz de Rates foi reconstruída por D. Henrique e D. Teresa. Serviu como igreja do primeiro mosteiro da Ordem de Cluny em solo nacional. No seu interior estiveram as ossadas do mártir S. Pedro de Rates, trasladados em 1552 para a Sé de Braga. Localiza-se na Póvoa de Varzim.
Ao longo dos séculos, S. Pedro de Rates sofreu várias e perniciosas remodelações, mais concretamente nos séculos XVII e XVIII. Contudo, este monumento seria objeto, já neste século, de uma intervenção da Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, que remove certos acrescentos e reintegra partes da volumetria românica original. Embora muito reconstituído em alguns dos seus elementos, o conjunto ganhou outra importância, devolvendo uma certa dignidade a este importante Monumento Nacional nortenho.
A robusta frontaria é delimitada e reforçada por contrafortes, rasgando-se nela um portal românico de cinco arquivoltas ornamentadas nas aduelas por um apostolado segurando os báculos, símbolo de pastores do rebanho de Deus, para além de alguns anjos ostentando a cruz e um turíbulo. Os arcos repousam numa série de colunelos com capitéis, profusamente decorados com motivos zoomórficos, antropomórficos e naturalistas, ou ainda medonhas e fantásticas representações esculpidas. O tímpano ostenta uma figuração esquemática do Cristo Pantocrator, envolto na amêndoa mística e ladeado por duas pequenas representações humanas. Na parte interna do portal está inscrito a representação de um Agnus-Dei. Superiormente, abre-se um óculo ornamentado por graciosa rosácea. Na face meridional da igreja abre-se um portal românico de dupla arcada, assente em colunas com capitéis ornados com cenas historiadas. O tímpano é preenchido por nova representação do Agnus-Dei, este, no entanto, ostentando a cruz com escudetes que, certamente, remetem para a simbólica de D. Sancho I. Na face oposta rasga-se novo portal românico.
A cabeceira é uma admirável composição arquitetónica, no perfeito escalonamento e jogo de volumes da ábside e dos dois absidíolos. Desenhando um hemiciclo, a abside é repartida por cinco arcos, com frestas, assentes em altas colunas capitelizadas e adossadas às paredes. Uma cachorrada de modilhões figurados corre sob a cornija da tripartida e elegante cabeceira.
O interior apresenta um corpo dividido em três naves, a central mais alta que as laterais e a cabeceira, cobertas por um teto de madeira. Os tramos das naves são marcados por arcadas assentes em robustas colunas de diferente configuração, contendo capitéis ornamentados, algumas das aduelas dos arcos igualmente esculpidas com relevos - trabalho de cariz vegetalista e figurativo do fantástico imaginário da escultura românica, com influências de outras igrejas nacionais e estrangeiras, que se prolonga no arco cruzeiro, na arcaria cega da capela-mor e em outras partes do interior da igreja.
A capela-mor - coberta por abóbada de canhão na parte da frente, enquanto a parte anterior é coberta por abóbada em quarto de esfera - guarda numa campa rasa e brasonada, da primeira metade do século XVI.
Próximo do batistério estão expostas duas desgastadas imagens de granito representando um rei e um religioso, trabalho escultórico que poderá remontar ao românico do século XII. No templo guarda-se ainda uma imagem de madeira do século XV, representando N. Sra. do Rosário, bem como uma tela de N. Sra. dos Pescadores, pintura setecentista atribuída ao italiano João Batista Pachini.
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