Igreja Matriz de Vouzela

Na região de Lafões, parte integrante do distrito de Viseu, situa-se a bonita vila de Vouzela - povoação vizinha do Serra do Caramulo e do Rio Vouga. No centro desta encontra-se a pequena e elegante Igreja Matriz, um dos mais interessantes exemplares da arte medieval da Beira Alta.
Classificada como Monumento Nacional e objeto de obras de restauro pela Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.) no presente século, a Matriz de Vouzela é um templo originário do século XIII, revelando características de transição entre a arte românica e o gótico. Obras posteriores, do século XV, acentuaram as linhas ogivais de certos elementos do templo.
Construída na sólida pedra granítica da região, a Matriz de Vouzela apresenta uma torre sineira separada do corpo da igreja, obra situada na zona fronteira e realizada no século XVII. A sua fachada é muito interessante, constituída por um sóbrio portal ogival, sobrepujado por uma singela e elegante rosácea quadrifoliada. Lateralmente rasga-se uma pequena porta desenhando um arco gótico ogival e também encimada por uma rosácea.
Sob o beiral que corre ao longo de toda a cornija virada a norte, observa-se uma extensa série de modilhões do românico tardio, alguns historiados e outros finamente esculpidos com fantásticas máscaras, figurações zoomórficas e humanas - estas últimas representando episódios alusivos a atividades guerreiras e de trabalho quotidiano.
O sólido interior é formado por uma só nave com cobertura de madeira, revelando uma sóbria e sombria ambiência, escassamente iluminada pelas duas rosáceas e cinco minúsculas frestas. Na parede do lado da Epístola pode-se observar uma Cruz dos Templários talhada no granito. Contígua, abre-se em arco ogival a entrada da pequena capela com o brasão dos Almeidas no fecho da abóbada octogonal polinervurada. Ainda na Capela dos Almeidas pode-se admirar um retábulo ostentando uma expressiva figuração de Cristo Crucificado.
A igreja possui três pequenos retábulos em talha dourada, aparatosas obras do barroco setecentista. A capela-mor abre-se num arco ogival e é coberta por modesto teto de caixotões pintados. No seu altar-mor barroco pode-se admirar uma escultura de vulto em calcário, imagem do século XV atribuída ao labor do escultor Diogo Pires-o-Velho.
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