III Reich (Império Alemão)

Depois do Primeiro Reich (ou Sacro Império Romano-Germânico), de 962 a 1806, e do Segundo, de 1871 a 1918, e principalmente devido à humilhação que se traduziu com a queda do imperador Guilherme II no fim da Primeira Guerra Mundial e todas as imposições que a nação alemã teve que aceitar incondicionalmente, Adolf Hitler alimentou o sonho de um Terceiro Reich, que acaba por impor em 1933, depois da subida ao poder do seu Partido Nacional-Socialista, que ganhara supremacia eleitoral durante a confusão política que se seguiu à crise económica de 1929-1930, criadora de instabilidade e favorável ao aparecimento de extremismos.
Fundado em 1919, na ressaca do humilhante Tratado de Versalhes desse ano - pelo qual a Alemanha é obrigada a pagar indemnizações de guerra aos Aliados, a reduzir os seus efetivos militares e a abandonar as colónias -, o partido nazi de Hitler, depois da revolta falhada de 1923, decide atingir o poder por vias legais. Porém, a relativa prosperidade e estabilidade que a Alemanha conhece entre 1924 e 1929 proporciona fracos resultados eleitorais para os nazis. Serão as promessas hitlerianas de superação da grave crise económica da Grande Depressão, o repúdio ao Tratado de Versalhes ("uma facada nas costas da Alemanha", diziam) e a defesa do rearmamento alemão que cativarão gradualmente o eleitorado. Em 1932, são já a mais representativa formação partidária com assento no Reichstag (parlamento), ganhando expressão política com a nomeação, no ano seguinte, de Hitler como chanceler, pelo marechal Hindenburg.
Imediatamente, Hitler prepara a imposição da ditadura, abolindo a constituição da República de Weimar (1919-33) e todos os partidos políticos com exceção do seu, passando igualmente a controlar os tribunais, os jornais, a polícia e a escola. Abandona também a Sociedade das Nações e as conferências de desarmamento, reativando o serviço militar obrigatório. Na Alemanha, assassinam-se os opositores, declarados ou suspeitos; "purga-se" mesmo o partido nazi, aprisionando-se em campos de concentração os que não eram liquidados; assiste-se à fuga de muitos alemães. Os corpos militares do partido (SA, Sturmabteilung, e SS, Schutzstaffel) e a sua polícia (Gestapo) impunham torturas e um clima de terror. Com a morte de Hindenburg em 1934, Hitler autodeclara-se der Führer (o líder), unindo a presidência e a chancelaria na sua pessoa. A resistência política desaparece; muitos seguem-no, animados pelo seu programa de reconstrução económica do país (estradas, indústria de guerra e afins, autossuficiência...). Os objetivos de Hitler prendiam-se com a imposição da superioridade alemã afirmada no princípio de que os outros povos eram inferiores, principalmente os Judeus (na realidade, detinham a estrutura económica alemã, cobiçada pelos nazis para garantirem a reconstrução económica), os Eslavos, os ciganos e outros povos não-germânicos. Neste quadro de atuação, defendia a criação de um "espaço vital" (Lebensraum) para o povo alemão, fórmula achada para legitimar o expansionismo do Reich, nomeadamente a Leste. O antissemitismo era outra faceta desta política, pela qual a Alemanha pretendia "limpar" o país: assim, Hitler, em 1933, ordena o afastamento dos Judeus dos cargos governamentais. A perseguição que lhes move atinge contornos irreais a partir de 1935, com a abolição dos direitos de cidadania e a fuga de perto de 500 000 judeus do país (onde circulavam devidamente identificados por uma estrela de David amarela). Em 9 de novembro de 1938, grupos incendiarão as sinagogas e destruirão os negócios dos Judeus, numa noite que terá ficado conhecida como a Noite de Cristal (Kristallnacht), ou dos vidros partidos.
Ao mesmo tempo, Hitler e a Alemanha nazi preparam-se para a guerra. Violando claramente o Tratado de Versalhes de 1919, ocupam a Renânia em 1936, ano em que assinam um pacto com a Itália facista de Mussolini e um acordo anti-comunista com os japoneses, formando, estas três nações, o Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Em março de 1938, os alemães ocupam a Áustria, anexando-a ao Reich (Anschluss). Neste mesmo ano, conseguem ocupar a região checa, de maioria alemã, dos Sudetas, com a anuência de Inglaterra e França (Acordos de Munique). O que restava da Checoslováquia fica desmembrado no ano seguinte, com o protetorado alemão imposto na Boémia-Morávia. Em agosto de 1939, o Reich consegue mais um dos seus embustes diplomáticos, ao acordar com a URSS a sua neutralidade caso um dos países se envolvesse numa guerra, concordando também, mas secretamente, com a divisão da Polónia e boa parte da Europa de Leste entre ambos. No mês seguinte, todavia, os alemães forçam a fronteira polaca e marcham sobre Dantzig, cujo "corredor" pretendiam conquistar para se unirem à Prússia Oriental, o que desencadeia a Segunda Guerra Mundial (cuja história é inseparável da do regime hitleriano).
O Terceiro Reich sai derrotado e completamente destruído do conflito, apesar de ter dominado fulminantemente até 1941 (Blitzkrieg). Declarando guerra às várias potências europeias, sucessivamente, e depois aos EUA, sofre desaires tremendos na frente russa: a Alemanha nazi vai perdendo força militar (nomeadamente com os bombardeamentos aliados do país a partir de 1943), sendo acossada para as suas fronteiras e acabando por se render incondicionalmente em 1945, vindo depois a perder antigos territórios e a redefinir as suas fronteiras (acordos de Yalta e Potsdam). Nesse período de 1939-1945, o antissemitismo é elevado para além do imaginável, perpetrando-se atos de perfeita insanidade contra cerca de seis milhões de judeus, vítimas dos campos de concentração nazis (Holocausto), a par de mais de cinco milhões de alemães mortos, não contando feridos, desaparecidos e toda a destruição brutal do país e de grande parte da Europa e do mundo.
Como referenciar: III Reich (Império Alemão) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-21 07:54:30]. Disponível na Internet: