Ilha de Moçambique

Ilha da província de Nampula (Noroeste de Moçambique), uma estreita formação coralina, situa-se no interior da baía de Mossuril, no oceano Índico, a 4 km da costa, e com uma área de 1 km (largura) por 3 km (comprimento).
Apesar da falta de recursos naturais, a ilha foi um influente centro comercial e, durante mais de três séculos, a capital da presença colonial portuguesa na costa oriental africana, tornando-se assim num importante património histórico e cultural a nível nacional e internacional.
Descoberta por Vasco da Gama, em 1498, aquando da viagem marítima para a Índia, a ilha recebeu o nome de Moçambique, nome conferido pelo vice-rei da Índia, de acordo com o nome do xeque árabe que ali governava - "Mussa Ben Mbiki" ou "Mussal A'l Bik". Em 1507, os Portugueses instalaram-se na ilha de Moçambique (nome posteriormente atribuído a toda a província ultramarina) que foi elevada à categoria de vila, em 1761, e à de cidade em 1818. Em 1898, o estatuto de capital da colónia portuguesa do Índico africano foi transferido para Lourenço Marques, atual Maputo.
Os diferentes tipos de habitações, que se foram construindo a partir do século XVI, permitem observar as demarcações sociais. As casas de pedra e cal pertenciam a comerciantes e funcionários ou eram edifícios públicos e religiosos e as casas de macúti (telhados com folhas de coqueiro), a pescadores e artesãos. A singularidade da ilha encontra-se no facto de ter conseguido gerir e assimilar as influências europeias, sobretudo portuguesas, como se verifica pelas fachadas das casas e pelo estilo das igrejas. Há também influências indianas, nos ornamentos de Diu ou nas varandas de Goa, e árabes, nos jardins e pátios interiores.
Dada a falta de aproveitamento dos solos, a nível agrícola, os principais meios de sobrevivência são a pesca e produção de objetos artesanais através de conchas e de corais.
A Ilha de Moçambique, Património Mundial da Humanidade (1996), destaca-se também pelo seu valor cultural tradicional. Aí, pode observar-se a famosa imagem da mulher coberta com a capulana e com o rosto pintado de branco com o típico mussiro (ou msiro), uma pomada feita a partir da raiz com o mesmo nome, que as mulheres, sobretudo desta ilha, aplicam no rosto não só como protetor e amaciador da pele, como também como elemento estético. É também famosa a dança tradicional de origem árabe, o tufo. Esta dança, de ritmo suave e executada pelas mulheres nas ocasiões festivas, é acompanhada de canções e de instrumentos de percussão (usados somente por mulheres) e dos quais virá provavelmente o nome tufo.
Como referenciar: Porto Editora – Ilha de Moçambique na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-08-02 20:40:30]. Disponível em