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Imitação de Cristo
Trata-se de uma tradução efetuada por Frei João Álvares, em 1477, de um tratado espiritual, o De Imitatione Christi, atribuído a Tomás de Kempis, composto por quatro livros, e que exerceu, a partir do segundo quartel do século XV, uma influência considerável sobre a piedade cristã. A obra, ao fazer a apologia da humildade e renúncia do mundo e ao incitar o cristão a imitar a vida e as virtudes de Cristo pela meditação e interiorização afetiva da doutrina cristã, traduz algumas das tendências principais da Devotio Moderna, cujo influxo, em Portugal, tem como marcos culturais, além desta tradução, a tradução encomendada em 1495 pela Rainha Dona Leonor, do Livro da Vita Christi, de Ludolfo da Saxónia. Recorde-se que a Devotio Moderna não designa um movimento uniforne, mas um conjunto de correntes que têm em comum a interiorização da vida espiritual, acompanhada por certa desvalorização da religiosidade tradicional, exclusivamente cerimonial e claustral, do privilégio da oração mental sobre a vocal, da passagem da devoção da esfera pública para a esfera privada, do desenvolvimento de uma espiritualidade laica, estimulada pela difusão de leituras devotas, pela contemplação de imagens, pela criação de oratórios domésticos, etc.
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