Imobilismo Político em Portugal

Durante o regime do Estado Novo viveu-se numa condição de inexistência de versatilidade política, uma vez que se tratava de um regime autoritário. Existia a União Nacional (nome que se alterou para Ação Nacional Popular durante o governo de Marcello Caetano), um partido político oficial que difundia o chamado "espírito da Nação" e que não admitia oposição. Esta era reprimida por meio da polícia política, a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), tendo-se igualmente criado dois campos para receber presos políticos e sociais (a prisão do Tarrafal, na ilha de Santiago, Cabo Verde, e o Depósito Penal de Angola). De igual forma, agravou-se o regime de censura prévia em 1936 e no mesmo ano um decreto-lei obrigava os funcionários públicos a jurar que aceitavam a Constituição de 1933 em toda a sua extensão e se comprometiam a abster-se de conceber ideais subversores e comunistas (ficou a dever-se este exacerbar das medidas repressivas ao receio que despertou nos dirigentes políticos a sublevação militar que levou à Guerra Civil de Espanha). Foram também criadas duas milícias, a "Mocidade Portuguesa", que incutia nos jovens os valores do regime, e a "Legião Portuguesa", que combatia o comunismo e os inimigos do regime. Por outro lado, a partir de 1955, data em que Portugal integrou a ONU, vinha-se a sentir a pressão internacional para a emancipação das colónias, tal como muitos outros países colonizadores estavam a fazer. A recusa portuguesa levou ao desencadear da guerra colonial, em 1961. Este imobilismo político começou a perigar com a manifestação do dia 1 de maio de 1974, em que cerca de cem manifestações irromperam por Portugal, numa demonstração militar e popular de recusa da ditadura, incentivando a ação do Partido Comunista Português. Nos alvores do ano de 1974, encontrava-se o País numa situação de impasse no respeitante à guerra nas colónias, descontentamento do setor militar e estagnação das políticas de dinamização social, cultural e económica.
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