Imperadores Ilírios

Não se tratando propriamente de uma dinastia, é antes de tudo um conjunto de imperadores romanos que devido à sua origem ficaram conhecidos como "Ilírios". A Ilíria é uma região histórica que corresponde, aproximadamente, à antiga Joguslávia no período entre 268 e 285. Os imperadores Ilírios ficaram famosos também por serem quase todos militares. Depois do período de boa administração, rigor e certa acalmia da dinastia dos Severos (193-235), o Império Romano entrou num período de grande agitação política e militar e de forte instabilidade, acentuada pela pressão que os povos "bárbaros" exerciam sobre as suas fronteiras (limes). Depois de um período de usurpações e invasões, guerras internas e questões políticas e palacianas sem fim, desde o reinado de Maximino I Trácio (235-238) até ao de Galieno (253-268) - ou mesmo ao de Diocleciano (284-305), o mais famoso de todos -, com imperadores a governarem em espaços de tempo reduzidos, surgiu um período fortemente militarizado e marcado por figuras imperiais que tentaram pôr cobro à instabilidade governativa e social romana.
Com Cláudio II, o Gótico (268-270), inaugura-se precisamente essa época em que quase todos os imperadores provinham da Ilíria, que compreendia a Dalmácia, região fortemente romanizada na costa do Adriático e toda a área montanhosa adjacente, também indelevelmente marcada pela ação civilizadora romana. Apesar da escassa duração deste período Ilírio, conseguiu-se nessa época restabelecer, pela força, a unidade do Império, muito abalada pela voragem do destino macabro que os anteriores imperadores conheceram e com ele arrastaram Roma e as suas províncias. Depois de uma tentativa de usurpação do poder por Quintílio (270), seguiu-se Aureliano (270-275), um imperador guerreiro, destemido e empreendedor, que reforçou as muralhas da Cidade de Roma por exemplo. Tácito (275-276) e Probo (276-282), intermeados por Floriano (276, com um reinado curtíssimo), continuaram o restabelecimento da ordem e da unidade, pugnando pelo reativar das atividades produtivas e pela circulação segura de bens e pessoas no Império. Depois, não faltou também a dança dos imperadores, com Caro (282-283), Carino e Numeriano (283-284) a sucederem-se depois de reinados curtos e sem expressão. O último e talvez o maior de todos estes imperadores Ilírios - muitas vezes não referido neste agrupamento de soberanos imperiais romanos - foi Diocleciano, nascido em Split, na Dalmácia, uma figura empreendedora e que teve uma visão do estado do Império e do que ele precisava para se salvar a médio prazo.
Com ele, encerrou-se o breve período dos imperadores Ilírios e deu-se lugar à Tetrarquia e ao Cisma Ocidente-Oriente. Os Ilírios foram de facto os últimos imperadores da unidade e da afirmação da coesão do Império, que não lhes sobreviveu como unidade geopolítica una e indivisível.
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