Império Colonial Espanhol

Esta estrutura histórico-geográfica começa em 1492 com a conquista de Granada e ataques ao Magrebe, a criação do reino unificado de Espanha, a chegada de Colombo à América e suas sucessivas viagens até 1502 ao serviço dos Reis Católicos. A América torna-se, a partir de então, um território aberto à colonização e exploração económica espanhola. É um império nascido das rivalidades com os portugueses, senhores do caminho para a Índia (oriental), com os quais firmaram um acordo de divisão do mundo - o Tratado de Tordesilhas, em 1494, pelo qual se impõe a doutrina do Mare Clausum, com o exclusivo dos mares para os peninsulares.
Logo na sequência da descoberta da América por Colombo, os espanhóis fundam a colónia de Hispaníola (Santo Domingo), primeiro povoado europeu naquele continente. Em 1513, Balboa descobre o Pacífico, abrindo aos espanhóis as rotas das especiarias através daquele oceano. Para tal, conquistarão em 1564, do outro lado do Pacífico, as Filipinas, donde operavam para todo o Extremo Oriente. Antes, porém, em 1519, começara, na América (do México e Caraíbas até à América do Sul, com exceção do Brasil), a saga dos "conquistadores" - Cortés, Pizarro, Almagro... -, tristemente célebres pela devastação e desconsideração cultural por civilizações antigas em pleno esplendor. Conquistam, ao serviço de Carlos V, um imenso império territorial, tão grande que "o Sol nunca se punha", dizia-se. A América constituirá o centro nevrálgico do grande império colonial espanhol, mercê das suas riquezas minerais (ouro, prata, pedras preciosas) e agropecuárias, para além do acolhimento que dará a milhões de colonos em busca do El Dorado.
Até cerca de 1550, os "conquistadores" atingirão o longínquo Chile e explorarão a Venezuela, atingindo, em meados do século XVII, o Rio da Prata (Argentina), a Florida e o Novo México. A sua autoridade será, no início, a "lei" nas novas regiões, o que faz com que, a partir de 1521, o rei imponha a sua administração de forma mais atuante, intitulando-se "Rei das Índias" e criando os vice-reinados (México, 1535; Peru, 1543) e as capitanias-gerais. Aí define circunscrições judiciais (corregidores) e distritos, paralelamente à instituição da Casa das Índias para administração das colónias americanas, parte integrante que eram do reino espanhol. Mantém a Coroa com elas um estatuto de exclusividade - só podiam negociar com espanhóis, através da Casa de Contratación, em Sevilha -, cobrando impostos régios (quinto) sobre o ouro e a prata, transformados, desde 1545, nos produtos mais valiosos da América espanhola (Potosí, no Peru, e Zacatecas, no México, eram as minas mais produtivas). Para além deste esplendor imperial e económico, aparece o problema do "índio", escravizado e dizimado nas Antilhas, primeiramente, depois quase extinguido na América Continental (mais de doze milhões de indígenas), vítima de incontáveis e variados processos tenebrosos, próprios de um Holocausto, e de epidemias e doenças europeias. Apesar de substituídos por escravos negros, os "índios" continuaram a sofrer maus tratos, perpetrados por súbditos dos "catolicíssimos reis de Espanha", apesar das denúncias de religiosos, como o dominicano frei Bartolomeu de las Casas, entre muitos outros. Estes religiosos, mendicantes ou jesuítas, evangelizarão e protegerão os Índios, ao mesmo tempo que criarão universidades e escolas. Porém, cria-se uma crescente aristocracia crioula, esclavagista e poderosa, com exércitos pessoais e lucros fabulosos. É o caso dos ganaderos, nas suas haciendas ou estaciones. Os colonos, por vezes, revoltar-se-ão, como no Peru, entre 1546 e 1554.
Este vasto império sofrerá também a cobiça e os ataques frequentes de holandeses, ingleses e franceses, principalmente aos seus galeões carregados de riquezas, como o da carreira de Manila, no Pacífico. São também criados novos vice-reinados no século XVIII: Nova Granada, em 1717, e Rio da Prata, em 1777, para além do avanço colonizador e de evangelização na Califórnia e Arizona, regiões mineiras promissoras de lendárias riquezas. Em 1778, noutras latitudes, a Espanha adquirirá aos portugueses as ilhas de Fernando Pó e Ano Bom, junto à Guiné Equatorial, uma das fontes de escravos da América espanhola.
Nesta época, a aristocracia crioula hispano-americana continua a conquistar poder, dominando os governos provinciais e locais, além de se intelectualizar, enviando os seus filhos a estudar na Europa, donde regressam com novos valores e com ideais libertários próprios do Iluminismo, então em voga. Animados pela Revolução Americana de 1776 e pelos ventos de liberdade da Revolução Francesa de 1789, nascem os nacionalismos na América espanhola. Aproveitando a invasão de Espanha por Napoleão em 1808, dá-se a partir de 1809 a declaração de independência de várias colónias espanholas. Porém, as primeiras tentativas serão dominadas pelos esforços militares dos espanhóis, com exceção do Rio da Prata (futura Argentina), onde San Martín os vence e declara a independência do país, em 1816, o mesmo fazendo depois no Chile (1817) e no Peru (1821). A Colômbia (1819), a Venezuela (1821) e a Bolívia (1824) foram libertadas pelo génio militar de Simón Bolívar, verdadeiro destruidor do Império Colonial Espanhol na América do Sul. O México (1821) e o Equador (1822), entre outros países, também conhecem a independência nesta altura.
Com este rude golpe moral e económico, a Espanha, a braços com uma grave crise, foi obrigada a vender aos EUA a Florida (1819). O último golpe fatal no império sucederá em 1898: perde, para os EUA, Cuba e Porto Rico, para além das Filipinas, Hawai e Guam, no Pacífico, onde também perde para a Alemanha algumas ilhas. Em 1912 ocupa o Rif, no Norte de Marrocos, quando já possuía Ifni (desde 1860) e o Sara Espanhol (Rio do Ouro, em 1884-86). Em 1956 perde o Rif na independência de Marrocos, a quem entrega o Rio do Ouro em 1976. Com a independência da Guiné Equatorial em 1968, desaparecia o império onde o Sol não se punha.
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