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Império marítimo Português no séc. XV

No século XV, Portugal reunia as condições ideais para ser um dos protagonistas dos Descobrimentos. Situado no extremo ocidente da Europa, no caminho das rotas de comércio marítimo, em contacto com os povos mais desenvolvidos do Velho Continente, o reino português teve um papel decisivo no nascimento da Europa Moderna.
Contudo, a navegação oceânica trazia alguns problemas, a começar pelas embarcações. Os Portugueses conheciam as galés mediterrânicas, os barcos do Mar do Norte e, através da influência árabe, um tipo de barco, dotado de velas latinas capazes de bolinar muito perto da linha do vento, desenvolvido e transformado na caravela. Além desta embarcação, a navegação para sul do Bojador exigia o domínio de técnicas e instrumentos de navegação (navegação astronómica). Os Portugueses usavam já a bússola, as cartas-portulano, o quadrante e o astrolábio náuticos.
Os arquipélagos da Madeira e das Canárias despertaram, desde cedo, o interesse tanto dos Portugueses como dos Castelhanos; por serem vizinhos da costa africana, os referidos arquipélagos representavam fortes potencialidades económicas (em especial as Canárias), e tinham uma grande importância estratégica. A disputa destes territórios deu origem ao primeiro conflito ibérico, motivado por razões expansionistas. Para tentar evitar uma situação idêntica à das Canárias, arquipélago perdido para Castela, os Portugueses decidiram ocupar oficialmente as ilhas do Porto Santo e da Madeira (entre 1418 e 1419 desembarcaram na Madeira João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo).
Os descobridores foram nomeados capitães-donatários, incumbidos de povoar, defender e desenvolver o seu senhorio. Estes exerciam a jurisdição em nome do infante D. Henrique, que em setembro de 1433 recebera a carta de doação do Rei D. Duarte.
A Madeira exportava cedro, teixo, sangue-de-dragão, anil e outros materiais tintureiros; a partir de 1450 tornou-se um centro produtor de cereais e, em seguida, de açúcar.
A verdadeira localização dos Açores foi determinada quando os Portugueses, a partir de 1427, chegaram às ilhas de Santa Maria, S. Miguel, Terceira, Graciosa, S. Jorge, Pico e Faial. O povoamento do arquipélago foi iniciado em 1439 e o senhorio foi concedido ao infante D. Henrique e à Ordem de Cristo. Constitui exceção a ilha de S. Miguel, que ficou sob o domínio do infante D. Pedro. Neste território administrado pelos capitães donatários, as primeiras exportações consistiam em produtos tintureiros e madeiras, mas a partir de 1470 os principais produtos económicos passaram a ser o gado e o trigo.

A conquista de Ceuta, em 1415, é considerada um dos aspetos mais importantes da história portuguesa do século XV. É o primeiro passo de Portugal fora do território europeu. No início de Quatrocentos, um conjunto muito restrito de pessoas, reunido em torno de D. João I, preparou, em segredo, uma expedição a Granada, Gibraltar ou a Marrocos. Para perceber as motivações por detrás deste ato, é necessário entender a conjuntura política e social de Portugal nesse tempo. Vivia-se num período de crise económica e social, dominado pelos problemas da inflação e pelo descontentamento dos grupos sociais ligados à terra. Por outro lado, embora Portugal estivesse em paz com Castela, ainda pairava a insuperada origem ilegítima da dinastia joanina.
Na Europa, crescia a importância estratégica de Gibraltar e dos lugares circundantes. A sua conquista torna-se apetecível: pela sua situação geográfica; pela promessa de trazer prosperidade, especialmente aos setores da nobreza; e também pela possibilidade desta ação funcionar como um legitimador da dinastia de Avis.
A navegação africana de Portugal está associada à figura do príncipe D. Henrique, que dirigiu todas as explorações como património pessoal, a partir da base de Sagres, sendo acompanhado por um grupo de cartógrafos e especialistas. Além dos interesses materiais, o príncipe era guiado pelo desejo de estabelecer uma aliança com o Preste João das Índias, um príncipe cristão que governaria as terras da Etiópia. Graças a essa aliança, D. Henrique pensava expulsar os Muçulmanos da Terra Santa e recomeçar as Cruzadas, mas numa escala planetária.
No entanto, a interpretação dos descobrimentos portugueses não se deve resumir nem ser padronizada pela atuação exclusiva deste infante. Por trás desse movimento está um grupo vasto de mercadores e armadores profissionais, interessados e participantes nas navegações e, como dirigente governativo, o infante D. Pedro, responsáveis por uma série importante de iniciativas a que o Navegador aderiu.
D. Henrique preparou, no Porto, a primeira frota - com 70 navios e bem abastecida -, que, em julho de 1415, se reuniu, em Lisboa, à armada que partiu à conquista de Ceuta. Esta alcançou Lagos, Faro e Algeciras para chegar à cidade do Norte de África, atacada a 21 e conquistada a 22 de agosto de 1415.
Seguidamente, decidiu-se manter Ceuta e foram discutidas as necessidade de defesa. Tânger foi a expedição que se seguiu (1437). Alguns meses antes desta expedição partir, o monarca português havia solicitado o patrocínio do Papa, chegando a equipará-la a uma Cruzada. O apoio foi-lhe concedido através da Bula de setembro de 1436.
O plano português tinha em vista não apenas a conquista desta cidade, mas também o domínio de uma vasta área do território marroquino. O que justificará o ataque feito por terra, que terá contribuído para o insucesso da expedição, organizada de uma forma pouco eficiente.
D. Henrique desrespeitou as instruções que lhe foram enviadas, o que se saldou numa devastadora e tardia junção das forças terrestres e da armada em Tânger. O Infante terá sido aprisionado momentaneamente, sendo libertado em troca da promessa da devolução de Ceuta, ficando como penhor do acordo o seu irmão D. Fernando.
Em Portugal, as cortes, reunidas em 1438, não conseguiam encontrar uma solução para o problema. O confronto entre as fações que achavam que a devolução da praça devia ser efetivada e aqueles que se opunham a esta solução, entre os quais se encontrava D. Henrique, resultou na vitória destes.
Entretanto, morreram D. Duarte e o infante D. Fernando, que pereceu em Marrocos (1443), num clima de santidade.
Portugal só voltou ao Magreb nos anos 60 do século XV, no reinado de D. Afonso V, dentro de uma nova conjuntura que privilegiava os problemas do Mediterrâneo. Esta ofensiva estava associada ao interesse demonstrado pelo Rei em lutar contra os Turcos. Assim, em 1457, a frota portuguesa lutou contra os Turcos e, em 1458, Alcácer Ceguer era conquistada. Em 1406, foi relançada a problemática da ofensiva ao Norte de África. Em 1463-64, o Rei passou o estreito e tentou, sem sucesso, conquistar Tânger, o que só veio a acontecer em 1471, juntamente com Arzila. D. João V passou então a incluir na sua titulação régia a referência aos "Algarves de Aquém e de Além-Mar".
Com D. João II manteve-se a presença marroquina, mas desta feita a dimensão político-comercial subjugava a militar. A sua política foi continuada por D. Manuel.
Do Norte de África Portugal avançou para oriente, aportando pelo meio ao Brasil. Na quarta etapa da expansão portuguesa (1482-1499), foi estabelecida a Feitoria/Fortaleza da Mina, dedicada à exploração de ouro. Dali tornava-se viável chegar à Ásia, dobrando o cabo extremo do continente africano, para conseguir o aprovisionamento direto de especiarias. Assim, em 1487, uma grande expedição comandada por Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, regressando triunfalmente a Lisboa em 1488.
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