Império romano, Crises de Sucessão

O império romano passou por duas crises de sucessão muito graves que puseram em risco a sua unidade.
A primeira grande crise sucessória ocorreu nos anos 68 e 69 da nossa era, provocando uma verdadeira anarquia. Nero morria em 68, enquanto os pretorianos, o Senado e os exércitos provinciais se digladiavam. Colocou-se o problema da sucessão. Eram os exércitos provinciais e os pretorianos que se encarregavam da eleição dos imperadores. Galba foi proclamado pelo Exército da Hispânia, mas foi morto pelos pretiramos, apoiantes de Otão. Chegaria a vez do Exército do Reno entrar em ação com a imposição de Vitélio, que, por seu turno, derrota Otão. O Exército do Oriente proclamava Vespasiano, que marcharia sobre Roma e derrubaria Vitélio. O império, sob o comando de Vespasiano alcançaria um dilatado período de dez anos de paz.
O segundo período de crise abraçou o império romano quando Cómodo foi assassinado em 192 e mais uma vez o frágil equilíbrio do império foi posto em causa. Para a sucessão ao lugar deixado vago apareceram vários candidatos. Foi proposto o prefeito Hélvio Pertinax, que legitimamente tinha o direito de substituir o imperador na sua falta. Era esta a solução apresentada pelos assassinos de Cómodo. Filho de um liberto, Pertinax não possuía o perfil de um imperador, mas a sua nomeação foi aceite pelos pretorianos numa primeira fase. Estes mudaram de opinião quando a política de Pertinax se mostrou desfavorável às suas pretensões, pois as liberdades que gozavam foram reduzidas. O resultado desta falta de vocação política e do mal-estar que provocou no pretório foi o seu assassinato em 193.
Uma vez mais se verificou um vazio de poder. Desta vez foram apresentados dois candidatos, o sogro de Pertinax apoiado pelos pretorianos, Sulpiciano, e Dido Juliano, legado de Cómodo. Este último aliciou as tropas e saiu vencedor. O Senado aprovou a decisão por falta de uma melhor solução para o problema. No entanto, defrontaram-se com o facto de os três exércitos terem nomeado cada um deles o seu chefe: Piscénio Niger para a Síria; Clódio Albino para a Bretanha e Sétimo Severo para a Panónia. O monopólio do poder detido pelos pretorianos provocou reações violentas por parte dos exércitos provinciais. Inevitavelmente teria lugar uma feroz guerra entre os diversos pretendentes. Foi Sétimo Severo que se destacou e ameaçou Roma. O seu poder inibiu quer os pretiramos, quer o Senado, que deixaram Juliano abandonado à sua sorte, acabando por ser assassinado.
Sétimo Severo acabou por ocupar o lugar deixado vago e tornou-se imperador romano, eliminando todos os seus concorrentes.
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