Independência da Indonésia

Colónia holandesa desde o século XVII, o vasto arquipélago indonésio foi ocupado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1942 e 1945. Os laços de união entre a Holanda e a Insulíndia encontravam-se num ponto tal por esta altura que, dois dias depois da capitulação do Japão, a República Indonésia era proclamada (17 de agosto de 1945) por Sukarno e Hatta. Claro que a potência colonial não aceitava de bom grado esta situação. Argumentando que a ocupação japonesa não lhe fizera perder os direitos na região, a Holanda protestou e e empreendeu uma série de negociações que conduziram, em julho de 1946, à conferência de Malino, onde foram lançadas as bases de uma Indonésia federal e aliada dos Países Baixos. Todavia, os tempos não eram calmos; ao mesmo tempo que se realizavam todos estes encontros e negociações, tinha início uma revolta entre partidários da República e os holandeses, na qual interferiu a Inglaterra que convenceu as duas fações a iniciarem um rol de negociações ainda no fim do ano de 1945.
À trégua negociada então, seguiu-se o acordo de Linggadjati, pelo qual a Holanda reconheceu a independência dos povos indonésios, aceitou a criação de um Estado federal soberano, a já referida união entre os Estados Unidos da Indonésia e o reino dos Países Baixos, sob a direção de um soberano neerlandês. Mas os tempos eram de mudança.
Em 1947, os Países Baixos organizaram uma primeira ação de policiamento do território que causou mau-estar, apesar da intervenção das Nações Unidas, criando uma comissão de bons ofícios. O objetivo dos ataques holandeses, que resultam no controlo de dois terços de Java, era o controlo das zonas petrolíferas de Sumatra. No fim do ano voltaram a estabelecer-se contactos entre os antagonistas. No dia 17 de janeiro de 1948 foi assinado um novo acordo, em Renvile, que retomou grande parte das ideias do de Linggadjati, prevendo plebiscitos nas zonas mais disputadas. Os europeus voltaram a lançar ataques, bombardeando a capital Jogjakarta, capturando e condenando ao exílio vários líderes independentistas, incluindo os já citados Sukarno e Hatta.
Esta ação foi travada graças à resistência da guerrilha e das forças da ONU (dezembro de 1948). Será sob a égide das Nações Unidas que se realizam os importantes encontros diplomáticos de Batávia, ou Jacarta (Abril-Agosto de 1949), e a conferência da Távola Redonda (27 de dezembro desse ano). Procurava-se ainda uma solução de compromisso que, com maiores ou menores dificuldades, duraria até 1954. Nesse lapso de tempo, os governantes indonésios construíram um Estado que englobava uma enorme multiplicidade étnica, onde mal se conheciam as especificidades dos pelo menos 15 estados que compunham as 10 províncias (julho de 1950).
Mais alguns problemas surgiram com a constituição do exército republicano, base do futuro exército indonésio, processo ao qual se opuseram, sem grande sucesso, os indonésios que integravam o exército real neerlandês (revoltas de Macassar e Ambon). Em 1954, por fim, a Indonésia renunciou à união com a Holanda e participou na conferência que reunia os estados do Sudeste Asiático, tendo em vista uma cooperação económica que lhe permitisse afastar a influência europeia e, ao mesmo tempo, manter a sua integridade.
O país era então dirigido por Sukarno, presidente da República, cujo Governo se debateu com problemas da unidade nacional e com uma má relação com a Malásia. Em consequência de um golpe de Estado (1965) Sukarno perdeu todos os poderes que, em 1967, foram transferidos para o general Suharto, até 1999 senhor dos destinos do país.
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