Indústrias Paleolíticas

Indústria é o conjunto das técnicas e das atividades pelas quais o Homem transforma a matéria-prima para obter os objetos fabricados. Neste sentido, o termo exclui normalmente os objetos de arte; na prática, designa os utensílios, as armas e os seus objetos de fabrico.
As indústrias paleolíticas distribuem-se, em termos cronológicos, ao longo de todo o período Paleolítico - inferior, médio e superior.
No Paleolítico Inferior, encontram-se inicialmente os complexos industriais de seixos afeiçoados, que se caracterizam por simples calhaus talhados de forma a definirem um gume cortante. A seguir encontramos o Acheulense, que se caracteriza pelo biface e que, na Europa, está representado pelo Abevilense; em África o Acheulense teve uma grande expansão juntando-se com muita frequência ao biface a machada ("hachereau"). Durante o Paleolítico Médio, cujas indústrias utilizam a técnica de Levallois, encontramos o mustierense, na Europa, no Norte de África e no Sudoeste asiático. Neste complexo, o biface do Paleolítico inferior é substituído por artefactos sobre lasca, como a ponta e o raspador.
O Paleolítico Superior inicia-se com o Perigordense antigo, com "facas" de dorso abatido curvo, e o surgimento da indústria do osso e do chifre. Esta última desenvolve-se plenamente no Aurinhacense. Cerca de 19 500 a. C. surge na região clássica do Sudoeste francês o Solutrense, que representa o auge do trabalho do sílex, produzindo-se as pontas de seta em forma de folha de loureiro, de salgueiro, as pontas "à cran", etc. Por fim, o Madalenense, última etapa do Paleolítico europeu, leva o trabalho do osso e do chifre ao seu expoente máximo, e ao mesmo tempo surgem verdadeiras obras-primas na arte parietal e móvel.
A cultura destes caçadores terminava com o final das condições periglaciárias na Europa, a que estava intimamente unida.
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